Cidadeverde.com

A INDÚSTRIA PEDE SOCORRO

A crise econômica brasileira atingiu a indústria piauiense. Os sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica e no preço dos combustíveis, dois insumos indispensáveis para o setor, estão provocando uma desaceleração no ritmo de produção das empresas no Estado. Até indústrias tradicionais,  como a Cerâmica Cil, estão fechando as portas e demitindo seus funcionários.

Segundo o Presidente da Associação Industrial do Piauí, Joaquim Costa, a indústria está atravessando um momento muito difícil, com declínio acentuado nas vendas. “ Estamos preparando um documento para enviar à bancada federal, mostrando que não é mais possível aumentar a carga tributária neste país. O governo está preparando mais um ajuste fiscal que vai resultar em novos aumentos, onerando em 150% os tributos incidentes sobre a folha de pagamento. Isso não é possível. O que nós estamos pedindo é que o governo corte gastos de custeio. Nós temos uma máquina inchada com 39 ministérios e milhares de cargos comissionados.”

Ascom AIP

Empresário Joaquim Costa Filho, presidente da AIP

Como se não bastassem todos esses custos que incidem sobre o preço final da mercadoria, a indústria piauiense ainda sofre com a má prestação na qualidade da energia fornecida pela Eletrobrás, como comentamos ontem aqui nesse espaço. O Presidente da AIP fez um desabafo de que algumas empresas chegam a parar as atividades por até uma semana por falta de energia, o que é absolutamente inconcebível. Ele ilustra a dramática situação vivida pelo setor com o caso de uma indústria de cerâmica instalada  na BR 316 que já está pronta há 90 dias e ainda não começou a funcionar por falta de energia.

Os industriais que querem ver o setor prosperar estão metendo a mão no  próprio bolso para fazer o investimento que deveria ser da Eletrobrás. O presidente da AIP é um deles. À frente do grupo Mafrense, ele se viu obrigado a colaborar com aporte de recursos em uma estação em Nazária, a fim de poder inaugurar a ampliação da empresa naquele município.

Aqui no Piauí, o setor da construção civil é o mais afetado até agora, registrando o maior número de demissões. “ E o problema é que a construção civil puxa outros setores, como o de  cerâmica, o de madeira e o de móveis. É um efeito em cascata.”, explica Joaquim Costa.

O Programa Minha Casa, Minha Vida está parado e as empresas estão sem receber os recursos da Caixa Econômica Federal. Para completar, os juros subiram, fechando um cenário que, segundo ele, já se caracteriza como de recessão. A esperança de quem produz e gera riqueza, fazendo a roda da economia girar favoravelmente, é conseguir convencer os parlamentares a votar contra o aumento dos encargos tributários sobre a folha de pagamento. Caso contrário, a previsão é de mais indústrias fechando e mais trabalhadores perdendo o emprego. Exatamente o que não precisamos para ameaçar  ainda mais a nossa já frágil economia.