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GESÚ BAMBINO

Eduardo de Jesus Ferreira, o garoto filho de piauienses que morreu no Rio de Janeiro com um tiro de fuzil na cabeça durante uma operação da polícia no Complexo do Alemão, é mais uma vítima da selva urbana em que se transformaram nossas cidades. Eduardo carregava o nome de Jesus e,  como o filho de Deus, morreu injustamente. O único pecado que ele cometeu foi ter tido a ousadia de brincar na calçada de casa, localizada em uma área dominada pelo crime. É mais uma criança que teve a infância roubada pela violência.  Há pouco tempo, uma outra criança, também piauiense, morreu aqui em Teresina, na porta de casa, no bairro Promorar, enquanto esperava inocentemente por uma pizza que nunca viria a comer.

São tantas as vítimas, velhos, adultos, jovens e crianças, que já perdemos as contas de quantos foram mortos pela violência. É impossível que aceitemos a morte do Eduardo apenas como mais um número na estatística dos abatidos pelas balas, achadas ou perdidas. Quantas famílias ainda terão que chorar seus mortos até que o Estado volte a ter o controle sobre a ordem pública?

Vivemos em um país de desigualdades sociais gritantes e, como diz a sábia letra do grupo musical Skank, “se o país não for pra cada um, pode estar certo que não vai ser pra nenhum”. Simples assim. No entanto, o fosso que separa pobres e ricos permanece e as oportunidades entre a zona sul e a zona norte, pra citar o exemplo da geografia do Rio de Janeiro, é enorme.

Os pais de Eduardo Jesus mudaram-se para o Rio, como tantos outros, sonhando com um futuro melhor. E a cidade tirou-lhes justamente o futuro projetado no filho de dez anos. Um tiro a mais, uma vida a menos. O menino que carregava o nome de Jesus morreu em plena Semana Santa, o que tornou ainda mais simbólica a sua morte. Se não temos o poder divino  para ressuscitá-lo, que pelo menos acordemos as autoridades que dormem diante do barulho das balas que continuam a matar crianças inocentes pelo país afora.