Cidadeverde.com

DE PANELAS A DELAÇÕES

Dois fatos chamaram a atenção ontem no país. O primeiro foi o novo depoimento do diretor da PETROBRAS, Paulo  Roberto Costa. Diferente das outras vezes, agora ele resolveu citar nominalmente os políticos com quem teve envolvimento. E citou nomes de peso do Planalto, como o do Presidente do Senado, Renan Calheiros ,de  ex-ministros de Estado, o do Senador Romero Jucá e do Senador piauiense Ciro Nogueira.

Ciro já havia dito, inclusive, que renunciaria a seu mandato de senador caso fosse provado qualquer envolvimento seu com a operação Lava Jato e com os operadores do petrolão. A delação premiada, como se sabe, só traz benefícios ao delator caso seja comprovada a verdade do que é dito.  Ainda há muito a ser apurado.

O depoimento de Costa também foi bastante crítico com relação a gestão da PETROBRÁS, incluindo aí o período em que o conselho da empresa estava sob a responsabilidade da atual presidente, Dilma Rousseff. Tá bom, ele não possui moral para criticar a gestão da empresa que ele mesmo ajudou a afundar com o esquema de desvio de dinheiro. Não importa se a quantia desviada foi menor que a perdida em maus contratos ou represamento de reajustes no preço dos combustíveis. Desvio é desvio, ou, em palavras mais realistas, roubo é roubo. Tanto faz se de R$ 1 milhão ou R$ 6 bilhões. O crime é o mesmo. E injustificável. Mas que houve má gestão, isso houve.

E para fechar um dia já difícil, a população voltou a se manifestar ontem à noite. Desta vez, sob a forma de panelaço, durante a veiculação do horário político do Partido dos Trabalhadores, o partido da Presidente da República que, aliás, não mostrou a cara nem a voz no programa. Ainda assim, o som das panelas ecoou de norte a sul do país, com maior intensidade em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Definitivamente, não é um bom momento para o Planalto, muito menos para o Brasil. Enquanto os brasileiros estão concentrando toda sua atenção  para acompanhar delações de crimes de corrupção ou batendo panelas em protesto, as ações e projetos  que deveriam alavancar o desenvolvimento do país acabam esquecidas ou relegadas a um segundo ou terceiro planos. É triste para quem, um dia, sonhou fazer parte do país do futuro.