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SAMMVIS ENFRENTA DIFICULDADE PARA FUNCIONAR

O caso das meninas violentadas em Castelo chocou o Piauí inteiro pela crueldade com que foi praticado. Mas a violência contra mulheres é uma realidade constante que nem sempre é revelada por conta do medo e da vergonha que tomam conta das vítimas, muitas ainda crianças e adolescentes.

Em Teresina existe um serviço específico para atendimento a mulheres que são vítimas de violência sexual. É o SAMVVIS – Serviço de Atenção à Mulheres Vítimas de Violência Sexual, que funciona em uma sala do Instituto de Perinatologia, ao lado da Maternidade Dona Evangelina Rosa.

O trabalho é coordenado pela experiente médica Maria de Deus Castelo Branco que, a exemplo das outras profissionais que lá trabalham, fazem o serviço funcionar mais pela boa vontade e dedicação do que pela estrutura de funcionamento. Todos os meses, o SAMMVIS atende uma média de 43 mulheres, sendo que mais de 80% delas são crianças e adolescentes abusadas por pais, padrastos ou vizinhos. Lá, elas recebem atendimento de uma equipe multiprofissional formada por médicas, enfermeiras, legistas, assistentes sociais e psicólogas.

As mulheres recebem medicamentos para tratamento de doenças venéreas, a pílula do dia seguinte ( para evitar gravidez indesejada) e, por meio de um convênio com o Hospital de Doenças Tropicais Nathan Portela, o coquetel preventivo contra a AIDS. Mas o sucesso do tratamento depende da rapidez com que as mulheres são atendidas. O ideal é que isso ocorra, no máximo, até 72h após a ocorrência.

É um serviço imprescindível e que proporciona não apenas o atendimento médico, mas também o suporte emocional e psicológico à essas mulheres,  muitas delas meninas, que chegam totalmente fragilizadas após serem abusadas por quem deveria protegê-las. No entanto, o SAMMVIS carece de apoio financeiro. O serviço não dispõe de um orçamento próprio e depende do que a Maternidade Evangelina Rosa, também com suas deficiências, pode repassar. Para ilustrar o tamanho da dificuldade, o telefone de lá ficou cortado de dezembro do ano passado a abril deste ano por falta de pagamento. Muitas vezes, são as profissionais que lá trabalham que se cotizam para suprir algumas necessidades mais imediatas. Pela relevância do trabalho realizado, já é tempo de o SAMMVIS receber mais atenção e recursos do Estado.