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O SILÊNCIO CRIMINOSO

Amanhecemos todos mais tristes nesta segunda-feira de céu nublado e chuva inesperada. O fim de semana foi pesado para todas as pessoas que ainda conservam a capacidade de indignar-se diante da dor e da violência, cada vez mais presentes em nosso meio.

Depois de mais de dez dias em um leito de UTI, após ser brutalmente violentada e espancada até a morte, uma das meninas da tragédia de Castelo morreu ontem à noite, silenciando mais uma vida,  um futuro que começava a se desenhar cheio de sonhos e alegrias.

As meninas de Castelo, na verdade, são todas as meninas diariamente abusadas e torturadas no Piauí, no Brasil e no mundo, como as nigerianas vítimas do Boko Haram. Nem todas ganham a repercussão que essas quatro garotas tiveram, talvez pela proximidade do caso. Mas em todas, e em cada uma em particular, a dor é a mesma. Como o mesmo deve ser o repúdio a qualquer ato de violência. Como Ludwig Wittgenstein observou: “ o sofrimento de certo  número de pessoas, ou mesmo de toda a humanidade, não pode ser maior – mais agudo, profundo e cruel – que o sofrimento de um único membro da raça humana.”

No mesmo fim de semana, um jovem médico é baleado durante uma tentativa de assalto, enquanto fazia um programa familiar a uma soverteria, em plena Avenida Dom Severino. Já não há mais tranquilidade para se fazer qualquer programa, independente da hora ou do local. E nós não podemos encarar isso como natural. Nunca!

Para completar a indignação diante da bestialidade em que se tornou a vida humana, uma criança de três anos é morta dentro de casa e a suspeita pelo assassinato recai justamente sobre o tio. Mais um caso que não dá para aceitar.

Tão violenta quanto a atitude de quem pratica esses crimes é a indiferença dos que o assistem e não se incomodam com o que veem. O silêncio, em casos como esse, também é criminoso. Por isso, não podemos ficar omissos. Temos que cobrar providências - prevenção e punição - para que a barbárie não venha a tomar conta do nosso Estado como se fosse algo natural e rotineiro.