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RETRAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

 

A combinação de recessão, inflação alta e juros em disparada tem afetado fortemente a construção civil e, mais ainda, o segmento da habitação. Sem dinheiro no mercado, o setor entrou em retração, os preços caíram e as demissões já estão acontecendo de forma preocupante. Nos primeiros seis meses deste ano, o desemprego na área alcançou uma média de 7% aqui no Piauí.

O momento é favorável para quem quer comprar imóveis. Isso mesmo, se o cliente dispõe de dinheiro, já que a Caixa Econômica Federal reduziu o financiamento para os mutuários. No caso de imóveis usados, por exemplo, a Caixa só está financiando 50% do valor. Uma boa opção são os consórcios imobiliários.

Para quem constrói, a situação não está nada fácil. Os imóveis da chamada Faixa 1, destinados às casas do programa Minha Casa, Minha Vida, são praticamente subsidiados pelo governo federal, mas este passou a atrasar os pagamentos em até 35 dias, comprometendo o fluxo de caixa das construtoras, principalmente das pequenas, que costumam operar nesse segmento.

As Faixas 2 e 3 , também do Minha Casa, Minha Vida, recebem um subsídio menor do governo. O dinheiro é complementado com recursos do FGTS. Só que os valores estão defasados, com índices relativos ainda ao ano de 2009. E sem correção, os construtores estão inibidos.

Já os imóveis situados acima dessa faixa são bancados com recursos oriundos da poupança, que vem diminuindo progressivamente. Agora em 2015,  cerca de R$ 32 bilhões migraram  da caderneta de poupança para outros investimentos mais rentáveis, como os fundos de renda fixa.

Para completar o quadro pouco animador, ainda há o custo burocrático para entregar uma obra. O Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Piauí, André Baía, diz que aqui se perde muito tempo para obter uma certidão em cartório, ou conseguir um alvará do Corpo de Bombeiros, uma ligação da AGESPISA ou ELETROBRÁS.

Na avaliação de André Baía,  o mercado só vai conseguir se recuperar no final do próximo ano. Segundo ele, o governo está usando o pior remédio para segurar a inflação, que é gastar mais do que pode.  Ele  ainda acredita no ajuste fiscal, embora o Congresso aponte para o sentido contrário. “ Ou o ajuste sai, ou o país pára”, conclui um dos empresários que ajudam a construir o Brasil.