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A DECADÊNCIA DO MÉRITO

Passou praticamente despercebida ao longo da semana uma resolução aprovada pelo CNJ –Conselho Nacional de Justiça, na última terça-feira, que destina 20% das vagas dos concursos para juízes e servidores do judiciário para quem se declarar preto ou pardo.

É mais uma tapeação para esconder as desigualdades sociais do país. Tapeação, porque não resolve, apenas disfarça o problema e cria um outro: o da deterioração do critério de mérito para admissão no serviço público. As empresas privadas, que primam pela eficiência e produtividade, contratam os mais competentes, os que mais podem render, independente da cor ou raça. Os empregados do setor púbico, pagos com nosso dinheiro, deveriam ser mais eficientes ainda. No entanto, essa política paternalista e protecionista insiste em nortear a administração pública aqui no Brasil, um país conhecido pela má prestação dos serviços.

Para entrar na cota dos negros, basta que o candidato faça uma autodeclaração de que é preto ou pardo. Ora, em um país tropical como o nosso, boa parte da população tem a pele morena. Declarar-se pardo, portanto, é a coisa mais natural. E, não necessariamente, os pardos são os mais prejudicados socialmente. Com o fosso social existente no país, há brancos, pretos e pardos nas periferias e grotões das grandes cidades, sem acesso a educação de qualidade. E por que, então, um preto ou pardo, teria mais chance que seu colega de infortúnio que comunga com ele das mesmas dificuldades econômicas?

Até quando vamos deixar de cobrar uma educação pública de qualidade que proporcione um ensino capaz de preparar seus alunos para qualquer seleção, independente da sua cor? Essa, sim, é a melhor política de justiça social. E não ficaria restrita a apenas 20%, mas universalizaria o acesso, de forma igualitária.

Infelizmente, o discurso de distribuição de cotas é mais fácil. E consegue enganar muita gente. Com isso, perde a escola pública, que continua relegada aos deserdados; e perde o serviço público que admite pessoas por cor e, não, por competência.