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O DESPRESTÍGIO DO PIAUÍ

Nesses seis primeiros meses de governo, o Piauí já recebeu várias demonstrações de que não goza de prestígio em Brasília, apesar da grande maioria de votos destinados à Presidente Dilma Roussef aqui no Estado e do apoio incondicional recebido por ela por parte de quase toda a bancada federal piauiense.

Primeiro, foi a substituição de Nélson Sousa no comando do BNB, que chegou a provocar a irritação até mesmo de petistas. Nélson já havia, inclusive, anunciado a destinação de 10% do orçamento do banco em 2015 para financiar empreendimentos no Estado. A queda de Nélson, trocado por uma indicação do Ceará, foi um golpe no desenvolvimento e na autoestima do Piauí.

Por último, foi a vez do indicado do senador Elmano Férrer para a direção do DNIT. O engenheiro Ribamar Bastos chegou a ser nomeado para o cargo, mas uma portaria do Ministério dos Transportes revogou a nomeação, impondo uma humilhação ao senador e ao povo que ele representa.

A cidade de Teresina, cujo prefeito é agora aliado do governador petista Wellington Dias, espera desde o início do ano por uma operação para liberação de R$ 35 milhões do PAC para a área de pavimentação. A Secretaria Municipal de Planejamento já cumpriu todas as exigências feitas pelo Ministério das Cidades, mas ainda não viu a cor do dinheiro. Nos projetos da capital que ainda estão recebendo dinheiro de Brasília, como o Lagoas do Norte, o atraso no repasse dos recursos chega até a noventa dias.

O Piauí é um Estado pobre, de poucas receitas, e, portanto, dependente do dinheiro da União para superar a situação de desigualdade com os demais Estados brasileiros. O governador é do mesmo partido da Presidente, e, mais que isso, um aliado de primeira hora que ajudou na coordenação de sua campanha. Merecia um tratamento diferenciado e mais consideração por parte do Planalto Central. Mas o que se vê é que o Piauí continua esquecido, sem receber nenhuma grande obra ou qualquer outro tipo de recompensa por tamanha lealdade e dedicação.

Só nos resta apelar aos santos do mês, São João, ou, talvez, São Pedro, para conseguir as chaves do cofre federal. Quem sabe, um milagre aconteça.