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COVARDIA INJUSTIFICÁVEL

O Piauí ainda nem se recuperou do choque provocado pela morte da estudante Daniele, uma das vítimas do estupro coletivo de Castelo, e já é surpreendido novamente com outro caso de morte, decorrente de estupro seguido de violência. Desta vez, foi a senhora Raimunda Sousa Leite, uma trabalhadora rural do município de Valença, de corpo frágil,  que não resistiu aos ferimentos provocados por seu agressor. O suspeito, segundo a polícia, é um caçador conhecido na região, de nome Cícero, também chamado por Ceará.

Uma menina, uma idosa, duas gerações diferentes, e um mesmo inaceitável fim trágico. A notícia chega junto com um outro caso de abuso sexual praticado em Lagoa do São Francisco contra quatro crianças. Infelizmente, ainda são muitos os crimes praticados contra mulheres, de diferentes idades, por sua simples condição de mulher, o que ensejou a criação da Lei 13.104-15, batizada como a Lei do Feminicídio. A lei alterou o Código Penal para incluir entre os crimes hediondos aqueles praticados contra a mulher por razões de gênero.

Na prática, a Lei do Feminicídio aumenta a pena dos agressores. Pena esta que pode ser agravada, ampliando de 1/3 até a metade, se for praticada durante a gravidez ou nos 3 meses imediatamente seguidos ao parto, bem como contra menores de 14 anos ou maiores de 60, ou ainda na presença dos pais ou filhos da vítima. Não deixa de ser um avanço na tentativa de intimidar os agressores. Mas ainda é pouco. O que precisa mudar de verdade é a cultura machista que ainda faz crer que as mulheres são propriedade dos homens e que estes podem utilizar-se delas ao seu bel prazer. A cultura de respeito à dignidade do sexo feminino deve começar pelo exemplo de casa, continuar na escola e se espalhar por toda a sociedade, incluindo também a mídia.

Segundo o Instituto Avante Brasil, uma mulher morre a cada hora no país, vítima de violência. Quase metade desses crimes são dolosos ( quando há intenção de matar) e praticados dentro de casa, caracterizando a violência doméstica ou familiar. É um número com o qual não podemos mais conviver.