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VOLUME MORTO

O país entrou no volume morto, para usar uma metáfora do ex-presidente Lula sobre a crise política e econômica que se abate sobre o Brasil. A inflação continua a subir, afastando os consumidores de produtos que já haviam sido incorporados à sua mesa até bem pouco tempo atrás. Com retração no consumo, as empresas sentem o impacto e também começam a demitir, elevando a estatística do desemprego, uma preocupação que ocupa hoje o centro das atenções das famílias brasileiras.

Politicamente, o governo está fragilizado. Em Brasília, quem dá as cartas é o Congresso, movido muito menos pelos interesses nacionais e mais por querelas pessoais e paroquiais. É por isso que o ajuste fiscal proposto pelo Ministro da Economia, Joaquim Levy, está sendo todo fatiado.

Por outro lado, a Presidente está à volta com a necessidade de dar explicações ao TCU sobre as pedaladas fiscais, sob risco de ter as contas reprovadas. O TCU calculou em cerca de R$ 40 bilhões a dívida do governo com a Caixa Econômica, Banco do Brasil, BNDES e FGTS até junho do ano passado. Hoje, essa dívida já chega a R$ 60 bilhões.

Tudo somado, a popularidade da Presidente Dilma despencou a índices próximos ao do período pré-impeachment do Collor. Inimagináveis 65% de reprovação. E o que é pior, a insatisfação já atinge até mesmo as classes mais baixas, até então reduto absoluto do PT.

Com esse cenário, os investidores estão inibidos de abrir ou expandir as empresas. E as expectativas não são nada boas para o segundo semestre. Consumidores, empresários e governantes estão com o freio de mão puxado, acertadamente. Só que sem investimento não há crescimento. E a crise vai se aprofundando ainda mais.