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INTRANSIGÊNCIA NÃO COMBINA COM DEMOCRACIA

A sessão para discussão e votação da PEC que trata da redução da maioridade penal no Brasil mostrou o nosso despreparo para o diálogo e o confronto civilizado de ideias. O país está dividido entre os que defendem e os que rejeitam a proposta. E essa divisão não é um mal em si. Ao contrário, revela que as pessoas possuem pensamentos distintos e que essas diferenças são levadas ao parlamento em busca da maioria, como deve ser em um regime democrático de direito.

No entanto, o que se viu ontem no acesso ao plenário foi uma cena que lembrou mais a barbárie que a civilização. Manifestantes contrários à proposta e, portanto, com todo o direito de expressarem seu pensamento, abusaram dessa prerrogativa e protagonizaram uma cena triste de agressões, que culminaram com a derrubada do  deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) quando este se dirigia à sessão.

Na casa que deveria ser a sede da democracia, o que reinou foi a intolerância. Os manifestantes só foram contidos quando a polícia utilizou gás de pimenta. Não precisava ter chegado a tanto. Em outros momentos da história, os brasileiros já mostraram mais criatividade e bom humor em seus protestos, obtendo resultados bem melhores. Quando a palavra é sufocada pela violência perde-se o foco do debate.

Impedir os deputados de participarem da sessão é um ato despropositado. Volta e meia a população reclama, muitas vezes com razão, que os deputados não trabalham ou trabalham pouco. E que custam caro ao país. É verdade. Mas quando eles se dirigem ao plenário para trabalhar, votando matérias que estão em pauta, são impedidos por pessoas que se dizem representantes da sociedade. Dá para entender? Claro que não.

Para ganhar a votação, seja lá de qual lado for, os interessados devem ganhar primeiro a mente e o coração das pessoas. Para tanto, devem usar argumentos convincentes nos meios de comunicação, redes sociais, ou em correspondências endereçadas aos seus representantes políticos. Afinal, os deputados que ali estão foram eleitos por nós para desempenharem esse papel. Ontem o papel feio ficou por conta dos eleitores. 

Em tempo: a proposta foi rejeitada ao final da votação. Para ser aprovada, a PEC necessitaria de 308 votos. Obteve 303.