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GOTAS DE ÁGUA NÃO ACABAM A SECA

O Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, deve vir hoje a Teresina assinar um termo de cooperação com o Governo do Estado para  destinar recursos ao abastecimento de água nos 152 municípios piauienses que estão enfrentando os efeitos da estiagem. A informação divulgada pelo Ministério é de que o valor do repasse deverá passar de R$ 6 milhões para R$ 12 milhões.

Pode até parecer muito, mas não é. Maior é a necessidade de milhões de piauienses que não contam com água sequer para beber e que, anualmente, ficam à mercê da chegada de carros-pipa. Um problema tão antigo quanto a nossa história e que, entra governo e sai governo, nunca é resolvido.

É humilhante, para não dizer vergonhoso, que os habitantes do sertão piauiense ainda sofram com a falta de água por inexistência de investimento em obras de caráter definitivo que garantam o abastecimento na região. Não é por falta de conhecimento ou de tecnologia. É tão somente falta de vontade política. E não apenas de um governo, mas de todos, indistintamente.

Com o piauiense Felipe Mendes à frente da CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, espera-se uma melhora na definição de prioridades para os investimentos no Estado, que vão do abastecimento à irrigação. Conhecedor da realidade do Piauí, e técnico de inegável competência, Felipe Mendes já começa a mapear as áreas irrigáveis para iniciar as obras nesse sentido a partir do próximo ano. Claro que, para isso, vai precisar de apoio político e orçamento factível.

As dificuldades financeiras, no entanto, são grandes. Por enquanto, ele ainda está às voltas com pagamentos em atraso de projetos importantes, como o Marrecos, em São João, cujo débito é em torno de R$ 4 milhões. Mas Felipe já anuncia a preocupação, muito pertinente, de revitalizar a bacia do Parnaíba. Trabalho que deve começar por obras de esgotamento sanitário à beira do rio para evitar o despejo de dejetos direto no leito. A preocupação estende-se à preservação das nascentes e microbacias. Salvar o rio é o começo de uma história que pode mudar a nossa realidade.