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IGUALDADE DE GÊNEROS É PRIORIDADE PARA A NOVA GOVERNADORA

A advogada Margarete Coelho (PP), vice-governadora do Piauí, assume hoje o comando do Palácio de Karnak e entra para a história como a primeira mulher a governar o Estado. Ela substitui o governador Wellington Dias (PT), que irá viajar aos Estados Unidos por um período de 12 dias.

Margarete, que já foi Deputada Estadual e é reconhecida por sua militância na área do Direito Eleitoral, quer deixar sua marca na defesa da igualdade de gêneros e no combate à violência contra a mulher, que registra um número crescente de casos no Piauí.

Hoje cedo, antes de se preparar para a solenidade de transmissão de posse, Margarete Coelho concedeu a seguinte entrevista ao nosso blog.

CB-O que a primeira mulher a governar o Piauí poderia fazer para deixar sua marca no Estado, apesar de tão curto espaço de tempo no cargo?

MC- A marca de uma administração eficiente, uma administração que coloque o cidadão em primeiro lugar. A nossa preocupação maior é em colocar o Estado como um facilitador do bem estar de todos.

CB – O que será prioridade para a senhora nesses doze dias?

MC- As questões voltadas para a equidade de gênero e raça. O Piauí deve aderir ao programa Pró-Equidade de Gênero e Raça do Governo Federal, saindo do formato de campanha, já existente, para ações como criação de núcleos de pesquisa para identificar, por exemplo, quem são as vítimas preferenciais e qual o perfil do agressor para que possamos tomar atitudes efetivas. Essas ações devem se dar não apenas em nível governamental, mas também na iniciativa privada. São ações preventivas para uma mudança de comportamento. 

Também queremos firmar parcerias com os municípios para criar órgãos de proteção à mulher. Hoje, apenas 5 ou 6 municípios do Piauí possuem esse tipo de órgão. E a falta deles impede a obtenção de recursos federais junto ao Ministério da Justiça para a implantação de programas de proteção à mulher.

CB- Essa experiência como governadora pode levá-la a disputar outros cargos majoritários no futuro, como a Prefeitura de Teresina, por exemplo?

MC- Não. A eleição municipal ainda não está no meu raio de preocupações no momento. Agora, estou mais preocupada com o momento de crise que o Brasil e o Piauí estão vivendo. Precisamos implantar uma gestão mais moderna. Ainda há muito entrave burocrático a ser superado. Temos que tirar o Piauí dessa instabilidade administrativa e superar alguns obstáculos, como a questão da Previdência e  dos problemas fundiários no sul do Estado por conta da insegurança jurídica, que acaba por barrar novos investimentos na área.

CB- Por falar em crise, foi divulgada ontem nova pesquisa de avaliação do Governo Dilma, que aponta 70% de reprovação à gestão da presidente. A senhora teme que esses índices negativos contaminem a administração estadual, que é do mesmo partido da Presidente?

MC- Acho que não. O que precisamos é descolar as agendas política e econômica da agenda policial. Quem praticou corrupção deve ser punido. Mas não podemos ficar atrelado à essa questão. Não é bom nem para o Brasil nem para o Piauí porque tira o foco da gestão.

CB- 2015 tem sido um ano de muitas dificuldades. O piauiense ainda pode alimentar alguma esperança para este ano?

MC- As minhas palavras são de otimismo. Os momentos de crise têm que ser vistos como momentos de oportunidade para buscar soluções criativas, sem jamais perder a fé ou a esperança.