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A ESCURA TRAJETÓRIA DA ELETROBRÁS

O cerco vai se fechando contra os agentes de corrupção que atuavam nos órgãos federais. Depois do rumoroso escândalo da Petrobrás, que ainda está longe de chegar ao fim, vem a aguardada investigação sobre a Eletrobrás, outro foco de desvio de recursos públicos. Ontem, a operação Radioatividade, desencadeada  pela Polícia Federal, levou à prisão o Presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. Ele é suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões em propina.

As suspeitas sobre a Eletrobrás são tão antigas quanto a má qualidade do serviço prestado pela mesma. Envolta em negócios obscuros, a empresa parece ter esquecido de realizar o trabalho que é da sua responsabilidade. As queixas existem no país inteiro.

Aqui no Piauí, a situação não é diferente. Os moradores de norte a sul do Estado reclamam da má qualidade do serviço e do atendimento da Eletrobrás que, preocupada com “as comissões” a receber por liberação de grandes obras, como a Angra III, não dá sequer ouvidos aos clamores dos clientes piauienses.

A falta de energia por aqui é tão frequente que deixou de ser exceção para tornar-se rotina na vida dos moradores. Quando o cliente liga para reclamar, quase nunca é atendido, e quando isso acontece, não raro é mal tratado. Os prejuízos com eletrodomésticos queimados em função de queda de energia já se acumulam de tal forma que os proprietários perderam até a conta.

A TV Cidade Verde mostrou um outro problema recorrente em decorrência da falta de atenção da Eletrobrás com a comunidade. No residencial Murilo Resende, zona sul de Teresina, um curto circuito na rede elétrica causou estouros na fiação, produzindo faíscas e fogo na rua. Uma cena que lembrava os fogos das festas de São João, mas que, ao invés do encantamento provocado por estes, trouxeram medo e pânico aos moradores.

Sob a mira da Polícia Federal e do Ministério Público, espera-se não apenas que a sangria dos cofres públicos seja estancada, mas também que haja melhoria na qualidade de um serviço que é essencial para a população e que não pode mais ser negligenciado em pleno século XXI, sob pena de manter nosso Estado nas trevas do atraso.