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DEOCLÉCIO DANTAS FOI REFERÊNCIA NO JORNALISMO

Jornalistas são acostumados a divulgar as mais diferentes notícias, de conquistas a derrotas, de tristezas a alegrias. Somos preparados para isso. Mas nunca estamos suficientemente preparados a escrever sobre a morte de um colega, ainda mais quando ele é uma referência, uma espécie de ícone do jornalismo, como é o caso do Deoclécio Dantas.

Ainda menina, acostumei-me a ouvir sua voz no rádio, ao lado de outro amigo querido que já se foi, Carlos Augusto Araújo Lima. Meu pai era amigo e fã de Deoclécio e não perdia o seu programa. Com o som em boa altura no rádio da sala, todos nós ouvíamos as suas intervenções, sempre combativas e corajosas.

Tempos depois, entrei para a faculdade de jornalismo na Universidade Federal do Piauí e o Deoclécio Dantas era para mim um exemplo na profissão. Homem sério, inteligente e culto, tinha domínio sobre as palavras  e um raciocínio claro e certeiro. Seus argumentos eram sempre contundentes. A voz firme e a palavra cortante estavam permanentemente em defesa da sociedade, clamando por justiça, transparência e honestidade.

Deoclécio foi exemplo não só para mim, mas para muitas gerações de jornalistas que aprenderam a admirá-lo por seu caráter, integridade e competência. Um piauiense que deixou sua contribuição inestimável na área da comunicação e das letras. Seu legado  tornou-se imortal desde que ingressou na Academia Piauiense de Letras, o mesmo, porém, não aconteceu com seu corpo já cansado, que se despediu hoje do nosso mundo.  Parte o homem, ficam seus ensinamentos e a lição de que o bom jornalismo não morre jamais.