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PÁTRIA EDUCADORA SEM AULAS

Os professores da Universidade Federal do Piauí iniciam mais uma greve e juntam-se aos servidores da instituição que já estão há mais de dois meses com as atividades paralisadas. A pauta é a mesma de vinte anos atrás, quando eu ainda era estudante da UFPI e, por causa de uma dessas greves, atrasei meu curso em um semestre. De lá para cá, pouca coisa mudou.

É fato que ao longo dos anos os salários dos professores da universidade vêm se deteriorando e perdendo seu valor de compra. Os docentes que formam os futuros profissionais do mercado não recebem um salário compatível com a sua missão de educar e, por isso, estão cobertos de razão em cobrar melhorias nos seus vencimentos. Mas é fato também que as greves já se mostraram um instrumento ineficaz para atender às reclamações dos professores.

Entra ano e sai ano, a história se repete. A greve nas universidades federais já faz parte do calendário. E como o governo pouco presta atenção no movimento, quem acaba prejudicado mesmo são os alunos. Além do atraso na conclusão do curso, perdem prazos para a matrícula nos programas de residência e mestrado, bem como demoram mais a entrar no mercado de trabalho, perdendo espaço para os outros alunos de universidades particulares que conseguem se formar no tempo correto.

A Universidade é, ou deveria ser, um centro de excelência em qualquer comunidade que leve a educação a sério, já que forma profissionais e realiza pesquisas que vão transformar o mundo a sua volta. Sem educação, o país não tem como se desenvolver. Os marqueteiros perceberam isso e lançaram o slogan “Pátria Educadora”. Falta agora o governo incorporar o slogan à prática  para investir em  uma área que é vital para tirar o Brasil do atraso. Do contrário, será apenas mais uma propaganda enganosa.