Cidadeverde.com

ENFIM, A CONTA CHEGA AO PLANALTO

Com muito atraso, o Planalto ouviu o recado das ruas, entendeu que a crise é grave e precisa ser atacada a partir do próprio umbigo. Ontem, o governo federal anunciou que irá extinguir dez dos trinta e nove ministérios, além de cortar muitos dos inúmeros cargos comissionados.

Faz tempo que a população pede que o sacrifício da conta seja compartilhado com o governo. Uma das reclamações frequentes é de que o governo gasta muito e que o aperto do cinto fica só nas costas do contribuinte.

Alguns economistas já se apressaram em dizer que, na prática, a redução dos ministérios não irá resultar em uma economia tão grande quanto os brasileiros esperam. Pode até ser, mas que o efeito pedagógico funciona, isso é verdade. O contribuinte tem dificuldade em entender por que é obrigado a cortar uma série de despesas domésticas para se adequar à nova realidade econômica, enquanto o governo continua gastando indiscriminadamente.

Para corroborar esse sentimento, pesou o acordão feito com os partidos políticos aliados para distribuição de cargos, com o objetivo de acalmar a crise política que, por sua  vez, estava alimentando a econômica. Ainda mais se lembrarmos que foi essa mesma prática de loteamento dos cargos nas estatais que levou ao escândalo do petrolão, o pivô da tormenta enfrentada hoje pelo governo.

O que a população espera é que o anunciado corte na máquina burocrática do governo não seja apenas jogo de cena, mas o começo da virada para uma nova mentalidade de gestão, com Estado mínimo e eficiência máxima. É disso que o Brasil e os brasileiros precisam.