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VELHO IMPOSTO, NOVA CONTA

Com as contas em frangalhos e sem conseguir o equilíbrio fiscal, o governo volta a lançar mão da saída mais fácil: aumento de impostos. Simples assim: eles gastam, nós, contribuintes, pagamos. A volta de um imposto equivalente à falecida CPMF é uma dessas ideias rasas de que o Planalto quer lançar mão para remendar a tarefa de casa que deixou de ser feita pelo próprio governo.

O velho novo imposto teria uma alíquota de 0,38% e, segundo os cálculos do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, representaria um aporte de cerca de R$ 80 bilhões de reais ainda este ano. Acontece que os brasileiros já viram essa cena. Pagaram pela CPMF e, mesmo assim, a saúde pública continuou precária, com pacientes esperando  meses a fio por uma simples consulta e intermináveis filas nos corredores dos hospitais, onde falta quase tudo, até alguns medicamentos básicos.

Por isso mesmo, a volta do imposto é muito mal vista. Quem garante que, dessa vez, ele vai resultar em melhoria da saúde pública? Ninguém. O que deve acontecer é uma sobrecarga, sobretudo no setor produtivo, já extremamente penalizado neste país. As empresas que geram empregos e fazem a economia seguir em frente já estão passando por dificuldades por conta da recessão, o nível de desemprego chegou a 8,3%. Portanto, não há mais espaço para criar novas dificuldades para quem já está remando contra a maré para garantir a sobrevivência no mercado.

Além do mais, é um imposto injusto, que tem efeito cascata, dizem os empresários. A indústria já se antecipou e disse que vai mover mundos e fundos para impedir a aprovação da CPMF; a oposição, idem. E a população também não deve ficar calada. Agora que aprendeu a bater panelas e a mostrar a cara na rua, não vai ser fácil conter tamanha insatisfação de um povo heroico cansado de pagar por uma conta que não fez.