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O NAUFRÁGIO DE TODOS NÓS

A fotografia do menino sírio Aylan Kurdi, de três anos, encontrado morto em uma praia da Turquia quando tentava fugir com a família,  é uma dessas imagens icônicas que dificilmente sairão das nossas cabeças. É o símbolo do desespero de refugiados que tentam. a todo custo, escapar da fúria do Estado Islâmico. Como Aylan, seu irmão e sua mãe, também mortos no mesmo naufrágio, milhares de refugiados perdem a vida diariamente em uma travessia perigosa rumo à uma nova terra, onde possam viver em paz com suas famílias.

É inadmissível que a parte rica da Europa e outras nações desenvolvidas continuem a fechar os olhos para esse drama humanitário, que afoga o sonho de quem procura um lugar seguro para morar, estudar e trabalhar.

A violência imposta pelas guerras civis e o extremismo de grupos radicais, como o EI, estão criando uma terra de ninguém. Os cidadãos que moram nas áreas atingidas pela barbárie, sobretudo a Síria, estão se perdendo em uma diáspora na qual o custo, muitas vezes, é a própria vida.
A falta de uma política que acolha esses migrantes fez prosperar o perverso tráfico de pessoas, um comércio desumano, que não poupa sequer as crianças. A ONU já fala que são necessárias vagas para 200 mil refugiados. Este é o número estimado de pessoas que perderam a noção de cidadania e de pertecimento a uma nação. Será que assistiremos passivamente a mais 200 mil mortes?

As imagens do menino sírio, assim como as de uma família húngara que se jogou desesperadamente sobre os trilhos tentando fugir da guerra, mostram o fracasso da sociedade como um todo. A civilização está perdendo o jogo contra a barbárie. E,  pior de tudo, é que o mundo está tornando-se insensível diante da dor e do sofrimento dos irmãos do leste europeu. Definitivamente, o homem precisa reinventar-se.