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A VOLTA DA CORTINA DE FERRO

Sete de setembro costumava ser dia de festa. Uma festa cívica, solene, na qual as famílias se arrumavam para assistir ao desfile. Era motivo de orgulho, embora muitos não se dessem conta de que aquele era um espetáculo militar para mostrar força e poder. De qualquer forma, povo e governo estavam juntos na avenida celebrando a independência do Brasil.

Hoje, o cenário é bem diferente. Já não há a mesma motivação para sair de casa. Primeiro, porque estamos cada vez mais dependentes. Milhões de famílias que não têm acesso a um emprego formal, porque não tiveram oportunidade de estudar, dependem de uma bolsa intitulada “família” que supostamente deveria suprir as necessidades básicas de um núcleo familiar. Só que não.

Outros tantos milhões de cidadãos vivem na dependência das conversas nebulosas dos gabinetes de Brasília, onde é decidido o futuro da nação. Mas o futuro está cada vez mais distante, desde que o presente passou a ser consumido na negociação da partilha para saber qual partido político fica com a maior fatia de propina paga pela execução de obras públicas.

As pessoas que acreditam na justiça vivem na dependência dos julgamentos que serão proferidos por indicados políticos que irão analisar a culpa desses mesmos políticos que o indicaram.  E vivemos todos nessa eterna dependência, à espera de quanto será confiscado dos nossos salários para cobrir uma conta que não fecha nunca porque, quem deveria, se recusa a reduzir gastos, como faz qualquer dona de casa quando as contas estouram no fim do mês.

Deve ser por isso que, neste 7 de setembro de 2015, povo e governo estejam separados estrategicamente por uma cortina de ferro, ops, cortina de aço. Já não é mais interessante que a massa esteja próxima. O que o povo tem a dizer não é agradável aos ouvidos dos governantes. Assim, melhor deixá-lo longe.