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TRAGÉDIA ANUNCIADA EM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

Foto: Lucas Marreiros/Cidadeverde.com

A crise dos detentos  que encontram-se no Hospital Penitenciário Valter Alencar chegou ao limite. Para evitar mortes no local, o promotor Eloi Pereira pediu que todos os pacientes com problemas mentais que estão sob a responsabilidade da promotoria da execução penal em Teresina sejam transferidos para o Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu.

O promotor alega que  no Hospital Penitenciário não existe tratamento para esses pacientes. Segundo ele, há mais de dois anos estão faltando medicamentos.  E, sem remédios, esses pacientes tendem a matar ou morrer, de acordo com o promotor. Ele entrou com uma ação judicial, ainda em 2013, para que o fornecimento de medicamentos fosse regularizado, o que chegou a acontecer por pouco tempo, vindo a faltar logo em seguida.

Perguntei se ele não temia o risco de mais um assassinato dentro das dependências do Areolino de Abreu, como já ocorreu este ano, quando um paciente transferido do Hospital Penitenciário matou por asfixia um  outro paciente esquizofrênico do HAA. E o promotor respondeu: " O risco há, mas o risco maior é que todos os pacientes do Hospital Valter Alencar morram, porque sem remédio eles ficam agressivos ou deprimidos, o que poderia levar ao suicídio."

Acontece que o Hospital Areolino de Abreu já está lotado e, além disso, não dispõe de segurança para receber pacientes perigosos, que estão sob a guarda da justiça.  O problema, como constata o promotor Eloi Pereira, é que em um hospital há medicamento, mas não há segurança; enquanto no outro, há segurança, mas não há medicamento.

A coordenadora de saúde mental, Gisele Martins, disse que vai conversar hoje pessoalmente com o promotor para explicar que esta solução é totalmente inviável, visto que os 160 leitos do Areolino de Abreu estão ocupados, sendo que 60 deles com pacientes do sistema penitenciário. "Pode haver uma nova tragédia no Estado", alerta a coordenadora. Ela disse ainda que o Hospital Penitenciário não está recebendo medicamentos psiquiátricos porque a Secretaria de Justiça não encaminhou a solicitação desses remédios para a Secretaria de Saúde em tempo hábil, por causa da demora na assinatura do termo de cooperação necessário entre as Secretarias de Saúde e Justiça para que pudesse ser realizada a compra, conforme determinação do Tribunal de Contas do Estado.


Está havendo um descompasso entre as duas Secretarias, que deveriam suprir um e outro hospital com medicamentos e segurança. Em meio a este impasse estão os pacientes e profissionais de saúde que não podem aceitar o ônus de novas  mortes, evitáveis com o mínimo de planejamento.