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INSEGURANÇA E MEDO NO HOSPITAL DO MOCAMBINHO

O Hospital do Mocambinho, que funciona como hospital geral, com atendimento a pessoas com transtorno mental e com depedência química de álcool e outras drogas, está sendo alvo de denúncias por parte dos profissionais de saúde que  trabalham lá. Eles procuraram o blog, sob a condição de não terem os nomes revelados por medo de supostas retaliações, e elencaram uma série de problemas que estaria comprometendo o funcionamento do hospital e a própria segurança de pacientes e trabalhadores.
De acordo com a denúncia, não há separação entre pavilhão masculino e feminino, o que leva homens e mulheres a dividirem o mesmo espaço, com prática de assédio sexual e tentativas de estupro, uma vez que muitos pacientes encontram-se sob efeitos de drogas e apresentam comportamentos alterados.
Da mesma forma, por não haver enfermaria específica para crianças e adolescentes, estes seriam vítimas de agressões por parte de adultos. Os profissionais se sentem inseguros e dizem trabalhar sob constante ameaça. Como não há reforço policial, e o hospital conta com um único segurança terceirizado, eles dizem que já presenciaram brigas e, eles próprios, foram vítimas de agressões. E o mais grave: segundo o relato dos trabalhadores de saúde, há casos em que os pacientes pulam o muro para comprar drogas na Vila Mocambinho e depois retornam ao hospital em visível estado de perturbação mental, o que representa um risco tanto para quem trabalha no local quanto para quem está internado lá.
Procurada para falar sobre o assunto, a Secretaria de Saúde disse não ter conhecimento de nenhum registro formal de estupro dentro da unidade e que reconhece que a Polícia Militar não dispõe de homens suficientes para dar suporte ao hospital. Com relação às supostas agressões contra crianças e adolescentes, a Secretaria informou que, como não há uma enfermaria própria só para elas, as mães ou responsáveis são autorizados a acompanhar os pacientes menores durante todo o período de internação. Quanto à eventual saída de pacientes para compra de drogas na vizinhança, a direção esclareceu que não pode colocar cerca elétrica comum no hospital, por não se tratar de um presídio. Os pacientes internados estão lá voluntariamente, mas, em caso de consumo de drogas, a família deve ser chamada para uma conversa e alertada de que o paciente em questão pode ser dispensado, por meio de alta administrativa.
Os profissionais não se convenceram e dizem que o ambiente lá é inseguro e compromete o tratamento, uma vez que é prestado sem as condições necessárias para um atendimento a pacientes com situação de vulnerabilidade que, por vezes, tornam-se agressivos. É bom olhar com cuidado para o Hospital do Mocambinho para que ele não venha a ser manchete policial em função de negligência por parte de quem deveria cuidar do bem estar dos pacientes.