Cidadeverde.com

NÓS PAGAMOS O QUE ELES GASTAM

O governo anunciou ontem mais um pacote que o povo já previa e temia. Na tentativa de ajustar a economia e equilibrar as contas públicas, o Planalto deu sinais de que pretende economizar R$ 26 bilhões nas despesas previstas para o Orçamento do próximo ano, que tem um  déficit estimulado de R$ 30,5 bilhões.

O problema é que parte dessa arrecadação deve sair das costas dos brasileiros e não do próprio governo, o verdadeiro responsável pelo rombo no Orçamento. Como se não bastasse toda a carga tributária que sufoca a economia brasileira, onerando o custo de produtos e serviços no país, a Presidente quer trazer de volta a CPMF, o famigerado imposto do cheque, que incide sobre as movimentações financeiras. Esse imposto é repassado em cascata até chegar ao preço final do produto consumido pelos brasileiros.  Acontece que o cidadão não quer pagar além do que já paga. Empresários e parlamentares de oposição, incluindo o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se anteciparam em dizer que a volta da CPMF é inviável.

A Presidente tenta obter o apoio dos poucos aliados que ainda lhe restam, na esperança de que o pacote, que traz junto outras medidas, seja aprovado no Congresso. Não será uma tarefa fácil, em razão do desgaste político sofrido pelo governo. Embora o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenha dito que o imposto será temporário e não deverá durar mais do que quatro anos, os contribuintes reagiram com descrédito.

Além  do retorno da CPMF, as outras medidas prevêm também o adiamento do reajuste dos salários dos servidores públicos da União,  de janeiro para agosto do ano que vem; a extinção do abono de permanência, pago aos servidores que já podem se aposentar, mas optam por permanecer na ativa; a destinação do FGTS para cobrir as despesas com a faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida; a utilização de parte das emendas parlamentares para cobrir despesas obrigatórias com saúde; taxação de ganhos com a alienação de bens e o redirecionamento de 30% do que é recolhido para o Sistema S para a Previdência.

Muito timidamente, como que apenas para dar satisfação à torcida, a Presidente falou em redução de cargos comissionados e despesas com passagens e diárias, mas não quantificou a meta, nem se propôs a dobrá-la. Não especificou quantos e quais ministérios serão extintos, nem quantos cargos comissionados deverão desaparecer. Nada de cortes em mordomias e no aparato que envolve autoridades de Brasília. Aliás, a crise parece não ter chegado ainda à capital do país. Tanto assim, que os 81 veículos dos senadores serão substituídos por outros , novinhos em folha, porque os atuais já são considerados “velhos”,  com dois anos de uso.

Resumo da ópera: eles gastam, nós pagamos a conta.