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ARROCHO E GREVES

O Brasil vive hoje uma das suas piores crises econômicas, com recessão, rombo nas contas públicas, inflação alta, desemprego crescente e, o pior de tudo, com o desgaste político que torna difícil a costura que levará à solução desse quadro. Diante desta realidade, os governos federal, estaduais e municipais tentam, à todo custo, reforçar o caixa e descobrir uma maneira de manter o equilíbrio das contas públicas para evitar que o cenário piore ainda mais.


O governo federal já anunciou um pacote, que ainda depende em grande parte da aprovação do Congresso, o que não será uma tarefa fácil, especialmente quanto à aprovação da volta da CPMF. De fato, os contribuintes brasileiros chegaram ao extremo e já não suportam mais  serem bombardeados com aumento de impostos.


O que é certo é que o arrocho chegará para todos nós,  brasileiros, de uma forma ou de outra. Entre os servidores federais, muitas categorias estão insatisfeitas, com toda razão, por conta do achatamento salarial que vêm sofrendo já há algum tempo. O poder de compra dos servidores públicos, assim como o dos privados, vem caindo vertiginosamente. Estão certos, portanto, quando reclamam por melhores salários. 


No momento, porém, dificilmente, vão conseguir algum avanço, em consequência da penúria pela qual estamos passando. Ainda assim, muitas categorias insistem em realizar um movimento grevista, que afeta muito mais a população já sofrida do que o próprio governo. Os servidores do INSS, Correios, UFPI e, agora, Hospital Universitário paralisaram as atividades, inconformados com os valores que estão recebendo.


Não se discute o mérito, porque, como já disse, os salários realmente foram achatados e valem, hoje, muito menos do que valiam alguns anos atrás. Eles têm, portanto, todo o direito de defender a sua sobrevivência. O que se questiona é a forma para atingir esse objetivo. Seria a greve a melhor maneira para sensibilizar o governo? Pelo visto, parece que não. Mas, para a população que depende desses serviços porque, na maioria dos casos, não tem outra opção, a greve é um duplo golpe. Além de não ter dinheiro para recorrer aos serviços privados de educação e saúde, ainda fica na espera indefinida para saber quando será atendida. E o que dizer de quem depende de um laudo do INSS para obter licença saúde ou se aposentar? 
Se não é justo o que o governo está fazendo com o funcionalismo, e não é mesmo, também não o é o que está sendo repassado para a sociedade, razão de ser do poder público e, por conseguinte, dos servidores públicos.