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EDUCAÇÃO PÚBLICA NÃO PASSA NO TESTE

O futuro que está sendo preparado para as nossas crianças não é nem um pouco promissor. A educação, que seria a única saída para romper o ciclo de pobreza e atraso a que muitos meninos e meninas estão submetidos, não vem merecendo a atenção devida por parte de quem deveria se responsabiliazar por esta tarefa. E o resultado desse descaso com a educação pública brasileira é um resultado pífio, para não dizer vergonhoso, nos níveis de aprendizagem dos alunos.
Pesquisa  da Avaliação Nacional de Alfabetização - ANA, divulgada ontem pelo MEC, aponta que mais da metade dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental das escolas públicas, 56%, apresenta baixo desempenho de leitura. Nesta etapa, os alunos têm em média 8 anos de idade e já deveriam ter completado o ciclo de alfabetização, sendo capazes de ler e produzir textos com clareza. Mas não é o que vem ocorrendo. De acordo com a pesquisa, os alunos da terceira série só conseguem ler palavras soltas, mas ainda são incapazes de atingir a compreensão de um texto por inteiro, muito menos de produzir uma redação com clareza.
Vinte Estados brasileiros apresentaram baixo desempenho nos quesitos leitura, escrita, e operações básicas de matemática. O Piauí está entre os Estados com pior desempenho, nos dois níveis mais baixos da avaliação, feita em 2014. O que se vê em Cocal dos Alves, na verdade, é um exemplo isolado, fruto do empenho e dedicação pessoais do professor Amaral, que resolveu quebrar a inércia do ensino público. Mas, infelizmente, não reflete a realidade de todo o Estado.
O resultado é tão decepcionante que o MEC suspendeu a avaliação para o ano de 2015, sob a desculpa de que haveria um intervalo muito pequeno entre uma avaliação e outra. Na verdade, parece muito mais a tentativa de não piorar mais ainda a já desgastada imagem de um governo que adotou o slogan de "Pátria Educadora".
Pessoas que não conseguem ler e compreender o que estão lendo, ou produzir um texto no qual sejam capazes de expressar suas ideias, estão fadadas a permanecerem à margem da sociedade, sem chances de melhorar de vida. É um ciclo de pobreza que se perpetua e que não será atenuado por um programa de distribuição de renda. Só a educação pode conduzir ao caminho do progresso e do desenvolvimento. Isso vale para o país, para o Estado e para sua gente.