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A FRAGILIDADE DO CEM

O assassinato de mais dois menores  dentro do CEM - Complexo Educacional Maculino, neste fim de semana, revela a incapaciadade do Estado de manter a guarda e segurança desses menores infratores, que crescem a cada dia em número e agressividade. No primeiro semestre deste ano, foi morto, no mesmo Complexo, um dos envolvidos no estupro coletivo de Castelo, um dos crimes mais bárbaros já registrados na história recente do Piauí.
A violência que ronda esses menores não cessa quando eles são apreendidos e transferidos para o CEM, local onde deveriam ser protegidos e recuperados para que pudessem voltar ao convívio social. Ao contrário disso, lá eles acabam por se envolver em novos crimes, como este ocorrido na noite de sábado, quando os dois adolescentes foram perfurados por vários golpes de espeto, fabricados com ferro da própria instituição.
Há algo de muito errado no Estado quando, no seu dever de garantir a ordem e a ressocialização de adolescentes infratores, permite que parte deles venha a praticar homicídios e que a outra parte seja vítiima. Depois, quando a discussão da redução da maioridade penal vem à tona, ainda ouve-se argumentos de que os menores não podem ser presos porque estariam sujeitos à violência dentro das penitenciárias. E o que está acontecendo dentro do CEM? Três mortes só em 2015. E o ano ainda nem terminou.
A SASC - Secretaria de Assistência Social e Cidadania - emitiu nota lamentando o fato. Enquanto a SASC lamenta, a família das vítimas se revolta, e com justa razão. E a sociedade, como um todo, fica perplexa diante da barbaridade presente, tanto nas ruas, como dentro dos estabelecimentos oficiais.