Cidadeverde.com

RECADASTRAMENTO OU CASTIGO?

O processo de recadastramento dos servidores públicos do Estado, anunciado com grande alarde pelo governo, revelou-se uma ação atabalhoada, que causou transtorno e descontentamento de toda ordem. A impressão que ficou é que foi uma ideia posta em prática de forma improvisada, sem o planejamento necessário para uma operação que envolveria tanta gente. Não deu outra.


Já na primeira fase, durante o cadastro virtual, começaram a surgir as dificuldades. O sistema era complexo e, sem o suporte adequado para o volume de acessos, caía a toda hora. Para os servidores de idade já avançada, e sem tanta habilidade com o mundo da informática, então, o processo era por demais complicado. Resultado: muitos deixaram de concluir a primeira etapa. E o que fez o governo? Em vez de tentar simplificar, anunciou que iria bloquear o contracheque dos servidores ( 6.149 pessoas), privando-lhes do direito sagrado ao salário conquistado após anos de trabalho dedicados ao Estado.


Aí veio a segunda fase, presencial. E foi nesta que a desorganização se mostrou por completo. A escala elaborada reunia muita gente em um curto período. Servidores nascidos em janeiro, fevereiro e março deveriam se apresentar na mesma época para provar que estavam vivos e, no caso dos ativos, trabalhando.


Funcionários despreparados não conseguiram atender de forma eficiente a grande demanda de servidores, angustiados diante a perspectiva de terem seus contracheques bloqueados. Rapidamente, formaram-se enormes filas, de forma desconfortável e desorganizada, gerando um tumulto absolutamente desnecessário.


Se era pra fazer recadastramento, que o mesmo fosse bem pensado e sem essa pressa desenfreada para ser executado,  como se nele estivesse a solução para  os problemas do Estado. Na verdade, há coisas bem mais urgentes a serem resolvidas na administração estadual. A política de valorização do servidor passa, acima de tudo, pelo respeito com que são tratados, estejam eles ainda trabalhando ou já desfrutando a aposentadoria.


Só agora, depois de reiteradas reclamações em todos os órgãos de imprensa, a Secretaria de Administração lembrou que existem pessoas que não têm a mínima condição de enfrentar filas intermináveis e decidiu disponibilizar um número para atendimento domiciliar de quem já não pode mais se deslocar até a SEAD para se recadastrar. A visita dos servidores a essas pessoas deve ser agendada pelos telefones 0800 280 3655 ou  3216 1705. Elas serão feitas de 16 a 27 de novembro. Ah! Em boa hora, veio também a notícia de que, pelo menos por enquanto, ninguém terá o contracheque retido. Menos mal!