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MORTES EVITÁVEIS

A imprudência dos motociclistas não para de fazer vítimas em Teresina. Com manobras arriscadas, eles conseguem deixar um trânsito, já difícil, em algo absolutamente caótico. Hoje cedo, mais um acidente com moto, entre tantos que acontecem diariamente na capital, provocou um congestionamento kilométrico nas Avenidas Barão e Marechal Castelo Branco.


Mas os congestionamentos estão longe de ser o maior problema causado por quem pilota uma moto de forma perigosa. O maior dano é causado à própria vida de quem anda desafiando o medo nas ruas e avenidas da cidade. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Piauí lidera o macabro ranking de vítimas de acidentes envolvendo motocicletas. Aqui, o índice de mortalidade chega a 21,1 para cada 100 mil habitantes. No ano passado, o Estado registrou quase 5 mil internações hospitalares, gerando um prejuízo de R$ 6 milhões, dinheiro que poderia ser gasto com prevenção, em vez do tratamento de sequelas, às vezes irreversíveis, provocadas por acidentes com motos.

Outro dado que assusta é com relação ao perfil desses acidentados. A grande maioria, 78%, é formada por homens jovens, com idade entre 20 e 39 anos. Ou seja, homens que estão no auge da sua capacidade produtiva e que são afastados do trabalho, ou da própria existência, por uma ousadia por demais arriscada sobre duas rodas.

O número de motocicletas nas ruas só cresce a cada ano. Vendidas em infinitas prestações, elas são o sonho de consumo da maioria dos jovens, um símbolo de poder e de autoafirmação, mas que, ao mesmo tempo, são extremamente frágeis e vulneráveis quando vítimas de acidentes. Ou os jovens passam a se locomover com mais responsabilidade, ou veremos mais mortes no asfalto a cada novo dia.