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A INJUSTIFICÁVEL AGENDA DO CONGRESSO

A barganha oficialmente institucionalizada no Congreso parece não ter mesmo qualquer medida. Nem mesmo os sete ministérios concedidos aos PMDB, partido que lidera o mercado de votos no parlamento, foram suficientes para garantir o esperado apoio ao governo logo no primeiro teste de votação.


A sessão que deveria votar os vetos da Presidente aos projetos que aumentam as despesas do Governo acabou não acontecendo por falta de quórum. A primeira leitura que se faz dessa larga abstenção é a de que não há compromisso com o país, apesar da grave crise que estamos atravessando e que compromete não só a capacidade de investimento das empresas, mas o poder de compra das famílias e até mesmo seus empregos. A segunda mensagem, pior ainda, é o desprezo à própria função legislativa. A desculpa mais ouvida ontem para o fato de não haver deputados suficientes em plenário para a votação que analisaria os vetos foi a de que era difícil os deputados chegarem à sessão em uma terça-feira.


Os demais brasileiros da nação, aqueles que trabalham, estudam, pagam impostos e sustentam os salários e mordomias dos parlamentares, ficam a se perguntar que calendário é esse que move o Congresso. Para todo o restante do país, a semana de trabalho começa na segunda-feira pela manhã. Para o Congresso, a segunda-feira é tão somente um prolongamento do fim de semana. Na sexta-feira, eles também não trabalham sob o argumento frágil de que precisam retornar às suas "bases eleitorais". Pois além da segunda e da sexta-feira, a terça também tornou-se um dia improdutivo.


Quer dizer então que nós pagamos R$ 33 mil de salário aos senhores deputados, fora os outros benefícios que, somados, chegam a R$ 146 mil mensais, para que eles  trabalhem apenas dois dias na semana? Há algo de muito errado em um país onde a elite que deveria dar o exemplo aos demais habitantes recebe muito para fazer muito pouco. Chega a ser uma afronta ao Brasil e aos seus milhões de trabalhadores que suam a camisa para fazer este país funcionar.