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JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

  Teresina está assumindo um comportamento perigoso e cruel de tentar resolver os problemas de violência pelas próprias mãos dos seus habitantes. Tudo decorrente de um aumento indiscriminado da ação dos bandidos, que se sentem completamente à vontade para praticarem assaltos, sequestros e arrastões por toda a cidade, a qualquer hora do dia.


Ao se darem conta de que a polícia sozinha não está conseguindo coibir ou, pelo menos, diminuir a criminalidade, a população está tomando para si uma função que é exclusiva do Estado: a de prender e punir os culpados. Essa é uma prerrogativa do Poder Público, que tem, ou deveria ter, homens preparados para essa missão. 


Ontem mesmo, mais uma vez, houve tentativa de linchamento, com apedrejamento, de um homem que estava assaltando uma mulher. Atitudes assim não são apenas arriscadas, visto que os marginais estão mais preparados para a luta que o cidadão comum, além de costumarem andar em grupos. Ao tomar para si a responsabilidade do Estado, a sociedade está negando a própria noção de civilidade e voltando aos tempos da Idade Antiga.


A indignação gerada pelo sensação de impunidade e negligência do aparelho de segurança deve ser canalizada para exigir dos governantes ações eficazes no combate à violência. Afinal, eles foram eleitos para isso. São os policiais, e não médicos, professores, estudantes ou comerciantes que devem travar luta corporal com bandidos. Além do mais, quando torturam ou matam um assaltante, os cidadãos igualam-se a eles, pois também estão cometendo um crime.

 
É perigoso e assustador ver a escalada de violência que vem se formando em Teresina, uma cidade cada vez mais assustada e desumana.