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A SAÍDA ESTÁ NO EMPREENDEDORISMO

São muitas as histórias e contradições acerca do dia em que deveria ser comemorada a Independência do Piauí. Mas a data é apenas o símbolo. O que conta mesmo é o sentimento de piauiensidade que permanece nos habitantes desse estado que acolhe com generosidade não apenas seus filhos de nascimento, mas milhares de pessoas de outros estados brasileiros, e até mesmo do exterior , que para cá se mudaram e por aqui criaram vínculos tão fortes que já não se veem mais morando em outro lugar.

Ao longo dos anos, acostumamo-nos a ver o Piauí ser destaque apenas por indicadores negativos, seja na educação, saúde ou crescimento econômico. Ou, ainda, por catástrofes provocadas pela seca. Os que aqui vivem, no entanto, sabem que o estado é muito mais que a imagem de terra rachada, embora até hoje sejamos obrigados a conviver, de forma humilhante, com a precária distribuição de água por carros pipa.

O subsolo piauiense é rico em água. Na região do Gurguéia está concentrado um enorme lençol freático, um dos maiores do país. E se essa riqueza ainda não foi bem aproveitada, com o armazenamento adequado da água para servir às comunidades ribeirinhas, a culpa também é nossa que, tendo conhecimento do fato, não fazemos a cobrança devida a quem deveria se responsabilizar pelas obras duradouras de convivência com a seca.

A região dos cerrados despontou como a última fronteira agrícola do país e os sulistas não tardaram a enxergar aí uma excelente oportunidade para plantar e colher riquezas. Hoje, uma legião de sulistas está cultivando as terras piauienses e contribuindo com a pauta de exportações do estado, por meio da soja. A produção de minérios, embora ainda incipiente, também já começa a se expandir, com perspectivas promissoras de bons negócios por meio da extração de ferro, níquel, opala e até mesmo diamantes. Sem falar nos parques de energia eólica, a nova promessa de energia limpa que vem atraindo investimentos significativos para o setor. Na semana passada, o BNDES liberou financiamento de R$1,3 bilhão para o complexo Chapada do Piauí 1,2 e 3. Prova de que quando há a iniciativa empreendedora não faltam oportunidades de crescimento.

Pois é justamente isso que precisa avançar no Piauí. Os piauienses têm que parar de ficar esperando que tudo aconteça por ação do Governo. Se quisermos sair do fim da fila e passarmos a ser um estado desenvolvido, a cultura do empreeendedorismo deve prevalecer. São os cidadãos, os empresários, que constroem, produzem e geram empregos. Que o estado fique mesmo só com o papel de regulador e fiscalizador, sem esquecer de fornecer a infraestrutura necessária para a produção e escoamento da riqueza.