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CANGAÇO E HALLOWEEN


Em uma época de aculturação, com valores e ideologias importados, muitas vezes sem qualquer conexão com a nossa realidade, um movimento chama a atenção pelo esforço em resgatar uma história, quase lenda, vivida no sertão nordestino no final do século XIX e início do século XX. O cangaço ganha status de um congresso nacional, realizado em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí. O evento começa hoje e vai até o próximo sábado.


Enquanto a sociedade de consumo resolve copiar a festa do halloween, de forte tradição nos Estados Unidos, profissionais que têm os olhos voltados para a nossa realidade, como o médico Leandro Fernandes e o professor Wilson Seraine, mergulham no nosso passado e vão até as raízes mais profundas do povo nordestino para revisitar a cultura formada a partir do cangaço.


Para quem não sabe, o cangaço foi um movimento surgido em uma época de extrema pobreza e forte desigualdade social no sertão nordestino, onde imperava a lei dos coronéis, já que a população não recebia qualquer assistência do poder público. Bandos de homens armados, e usando de muita violência, promoviam saques a fazendas e assaltos a comboios. E agiam com truculência contra aqueles que não colaboravam com seus homens. Apesar do medo que espalhavam nas redondezas, eram respeitados por alguns que os viam como uma espécie de justiceiros do sertão, porque ajudavam os mais necessitados. Entre esses homens, o mais famoso, sem dúvida, foi Lampião: bandido para uns; herói para outros.


Essa parte da história estaria quase esquecida não fosse a obstinação de alguns pesquisadores em levá-la adiante. No congressso que começa hoje em São Raimundo Nonato, estão programadas visita à exposição sobre vida e obra de Luiz Gonzaga; conferência sobre seca, cangaço e literatura; discussão sobre as mulheres no cangaço; o cangaço na obra de Luiz Gonzaga; apresentação do grupo musical Vagner Ribeiro e Valor de Pi, entre outras atrações. O evento termina com uma visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara e ao Museu do Homem Americano. Um sopro de piauiensidade e valorização da cultura local.