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MENINOS ASSASSINOS


Uma reportagem exibida pela TV Cidade Verde no Jornal Cidade Verde sobre moradores de rua chocou profundamente aqueles que ainda guardam um mínimo de sensibilidade ao sofrimento humano. Em entrevista à repórter Solange Souza, um menino de apenas 12 anos de idade, que vive na ruas de Teresina, confessou com toda naturalidade possível que usa drogas, se prostitui, rouba e até já cometeu assassinatos.


Há algo de muito errado em uma sociedade que se diz civilizada e permite que crianças e adolescentes percam o horizonte do futuro, trocando os bancos de escolas ou os brinquedos próprios da infância, por um universo de crueldade e violência vivido nas ruas. Aí está a grande diferença entre os países que alcançaram o status de "primeiro mundo" e o Brasil. Na Alemanha, por exemplo, quando as crianças faltam seguidamente à escola, os pais são ameaçados de perderem a guarda dos filhos porque não estariam cumprindo a sua obrigação paterna de encaminhá-los para a educação. Aqui, muitas vezes, os pais colocam os filhos nas ruas para pedirem trocados nos cruzamentos das grandes avenidas.


Esses meninos que tomam a rua como seus lares, seja por desagregação familiar, seja por fome, acabam por se deixar seduzir pela falsa sensação de liberdade que encontram fora de casa. Mas, ao contrário da falsa liberdade conquistada, eles tornam-se escravos de pequenos ou grande vícios e crimes. A lei da sobrevivência é dura e impiedosa.


Quando um garoto de 12 anos diz para uma câmera de TV que já matou várias pessoas, a sensação que temos é que a sociedade está morrendo junto com suas vítimas. Quem deveria estar sendo preparado e educado para construir um país melhor no futuro, está aprendendo a usar as armas que encontra para permanecer vivo. E, assim, perpetua-se um ciclo de pobreza, subdesenvolvimento, marginalidade e decadência.