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O ATRASO SAI CARO


O Piauí é pródigo em gerar polêmicas, especialmente quando se trata de obras que, por tanto tempo paradas, acabam tornando-se lendas na paisagem urbana e, pior, prejuízos aos cofres públicos. Foi assim com o Centro de Convenções, está sendo assim com a já famosa ponte do meio, o alargamento da ponte Juscelino Kubitschek, ligando as zonas centro e leste.


A obra começou ainda em 2011, com a promessa de ser concluída em um ano. Lá se vão 4 anos e o orçamento inicial, de R$ 18,236 milhões, já passou para R$23,736 milhões. Mas o encarecimento e o atraso, apesar de graves, não são os únicos problemas. Agora, um outro, preocupa a população. É a suposta ameaça de risco  para a segurança da ponte, provocada pela retirada dos taludes. Segundo o professor da USP, engenheiro Pedro Wellington Teixeira, é necessário uma intervenção urgente na ponte JK para iniciar o desvio do tráfego de veículos, porque a estrutura dos aterros está comprometida.


O Conselho de Arquitetura e Urbanismo divulgou o resultado desse laudo e desencadeou a discussão sobre o assunto. Logo a Secretaria de Estado de Transportes  tratou de amenizar as declarações e o CREA apressou-se em diminuir o seu impacto. O engenheiro Augusto Basílio também entrou na polêmica e disse que, de fato, os  taludes precisam de reparo, mas que isso já estava planejado, independente do laudo. Se já estava planejado, porque ainda não foi feito?  Por que esperar o agravamento do problema e gerar todo esse medo na população?


Ainda de acordo com o professor Pedro, esta é uma obra que deve ser feita com urgência e que não pode esperar o início do período chuvoso, pois a situação tende a se complicar. O Tribunal de Contas do Estado já solicitou uma auditoria na obra. Ou seja, quanto mais o tempo passa, novas implicações vão surgindo. E tudo por conta da lentidão inexplicável para a realização  das obras públicas no Estado, que costumam gastar mais investimento na sua divulgação do que propriamente na sua execução.