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AS AGRURAS DO TRANSPORTE PÚBLICO


O transporte público, definitivamente, precisa ser repensado no país e, especialmente, aqui em Teresina. Não é por acaso que as ruas estão congestionadas de veículos particulares, tornando o trânsito cada dia mais insuportável. E não adianta a STRANS fechar retornos ou proibir conversões à esquerda. Estas são soluções paliativas. O problema é que há muito mais carros e motocicletas do que a malha urbana é capaz de suportar. E por quê? Simplesmente porque o poder público falhou na política de transporte coletivo.


O único trem que opera na linha urbana na capital,  chamado de metrô por puro ufanismo dos teresinenses, faz somente a viagem do bairro Dirceu Arcoverde, na zona sudeste, para o centro. Ainda assim, de forma precária, com um trem velho e sem conforto. Pior, como se viu ontem à tarde, também sem comunicação eficiente, o que acabou causando um acidente com o trem de carga da Transnordestina, provocando duas mortes.
Hoje, a outra ponta do sistema de transporte coletivo, os ônibus urbanos, voltam a retomar a pauta de discussões na Câmara Municipal de Teresina, para a votação do indicativo que prevê a antecipação da climatização dos carros. Um assunto de absoluta prioridade para quem depende desse sistema na capital que, nesta época do ano, registra com frequência acima do suportável a temperatura de 40ºC.


Pelo Plano Diretor de Transportes, essa climatização deveria ocorrer gradativamente, a partir do próximo ano. Mas, parodiando o Herbert de Sousa, o Betinho, quem pega ônibus, tem pressa. De fato, os ônibus que circulam em horário de pico, como ao meio dia, por exemplo, costumam rodar lotados. Sob o sol escaldante que irradia em Teresina, a temperatura dentro deles fica insuportável. O passageiro já chega ao seu destino completamente encharcado de suor, com sinais de fadiga e cansaço.


A vereadora Cida Santiago propôs a obrigatoriedade da instalação de ar condicionado nos ônibus que fazem o transporte coletivo, mas teve seu projeto derrubado em plenário. Com a força da mobilização popular, ajudada pelas redes sociais, o projeto volta agora, modificado. Passageiros e operadores do sistema acompanham a tudo atentamente, na expectativa de conseguirem um  pouco mais de conforto nas suas viagens diárias de ida e vinda ao trabalho ou à escola. O poder público alega que a climatização antecipada elevaria o custo da tarifa. Enquanto isso, as ruas continuam se enchendo de veículos pagos com prestações à perder de vista.