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A Natureza chora


No início do ano, o Piauí voltou os olhos para a Lagoa do Portinho, um das mais belas paisagens do norte do estado, porque a mesma estava sendo tomada pela areia, desfazendo um cenário que sempre encantou os turistas que a visitavam.  Há meses, ambientalistas e jornalistas reclamam da situação do Rio Poty, tomado por aguapés e canaranas, que cobrem o leito do rio, impedindo a sua oxigenação e comprometendo a vida da flora e fauna existentes em suas águas.


Agora, vem do sul o protesto em defesa da Lagoa de Parnaguá, a 825km de Teresina. Uma das maiores lagoas da região Nordeste secou. O mato cobriu o que antes era um grande manto de água, fonte de vida, renda e admiração para os moradores da cidade que deu nome à lagoa.
Nos rios Parnaíba e Poty o assoreamento também está fazendo desaparecer lentamente o curso da água. Neste segundo semestre do ano, quando a estiagem se torna bem acentuada, os bancos de areia se estendem ao longo do rio, paticamente ligando uma margem à outra. 


Todas esses desastres são consequências da ação devastadora do homem que, ao longo dos anos, vem assoreando as margens de rios e lagos, provocando queimadas e desmatando as matas ciliares. A natureza chora com todas essas agressões, mas também cobra sua conta. Uma conta que será paga por nós e, principalmente, pelas gerações futuras, que correm o risco de se virem privadas desse patrimônio natural indispensável para uma melhor qualidade de vida.


Estamos destruindo a nossa biodiversidade, matando a fonte natural de água e de alimento, poluindo o ar e ajudando a aquecer ainda mais o nosso clima, que já é naturalmente quente e seco. Ou mudamos o nosso comportamento e o nosso relacionamento com a natureza ou estaremos criando cidades deserto, sem condições de serem habitadas. A escolha é nossa.  E não pode mais ser adiada.