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Aumenta a tensão na PM

A operação "Tolerância Zero", iniciada ontem pelos policiais militares, expõe a fragilidaede da corporação, que se sente insegura e desprotegida, tanto do ponto de vista financeiro quanto da preservação da própria vida. A estratégia do movimento é manter os homens concentrados em frente à Central de Flagrantes, outro exemplo da fragilidade do sistema de segurança pública.


Cotidianamente, a Central encontra-se superlotada, com uma quantidade de presos em capacidade bem superior ao compatível com suas instalações, precárias, diga-se de passagem. O problema já foi denunciado inúmeras vezes pelos próprios delegados da polícia civil. Nem aquele é o lugar adequado para o funcionamento da Central, nem ela dispõe de instalações seguras para abrigar presos.


O que os policiais militares estão propondo agora é levar todo e qualquer pequeno delito para lá,a fim de agravar a lotação da Central. Sem dúvida, isso implica um risco maior ainda de fomentar fugas e rebeliões, colocando em perigo toda aquela área movimentada próximo ao pólo de saúde, onde está localizada a Central.


Ciente da gravidade, o Ministério Público já solicitou uma audiência pública para tratar da questão. Afinal, estamos em uma época na qual, tradicionalmente, os delitos tendem a aumentar, em função do crescimento do volume de dinheiro circulando e do maior número de pessoas nas ruas para as compras de fim de ano.


Os policiais militares alegam que, também eles, estão expostos a riscos constantes e que, só este ano, nove PMs foram mortos. O último foi assassinado na segunda-feira passada, quando fazia o transporte de um malote de dinheiro. O simples fato de saírem de casa fardados e portando armas já se constitui em risco à integridade física desses profissionais. Eles reclamam a implantação do risco de vida e a aprovação por parte da Assembleia Legislativa do projeto que beneficia a categoria no tocante à reestruturação e promoção dos PMs.