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Nova família brasileira


A configuração das famílias brasileiras vem mudando ao longo do tempo. É o que atesta a pesquisa divulgada hoje pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- relativa ao ano de 2014. Embora o número de casamentos tradicionais entre homens e mulheres tenha crescido 5,1% de 2013 para 2014,  a quantidade de casamentos homoafetivos ( entre pessoas do mesmo sexo) também aumentou 0,4%, sendo 50,3% entre cônjuges do sexo feminino e 49,7%, do sexo masculino. No ano passado, o Piauí registrou 12.252 casamentos entre cônjuges masculino e feminino e 14 casamentos com parceiros do mesmo sexo, sendo 13 entre mulheres e apenas um entre homens.


Mas, se por um lado,  as pessoas continuam procurando o casamento legal para constituir uma nova família, por outro, o número de divórcios também vem crescendo. De 2013 para 2014, o percentual de casais que se separaram judicialmente aumentou 5%. Aqui no estado, foram registrados 2.779 divórcios no ano passado, contabilizando uma taxa 1,31% por mil . E uma nova forma de união também vem ganhando novos adeptos: são os recasamentos ou casamentos com pessoas que já estejam divorciadas ou em estado de viuvez. Os casamentos de segundas núpcias somaram 23,6% do total de uniões civis no ano passado. Outra novidade, é que as pessoas estão casando mais tarde. Os piauienses do sexo masculino estão casando, em média, aos 30 anos de idade, enquando as mulheres estão dizendo "sim" aos 27.


Mas se há tendência de crescimento na formação de novas famílias por meio do casamento, há também uma redução do tempo médio de duração dessas uniões. Em quatro décadas, de 1984 a 2014, o tempo de duração das famílias brasileiras passou de 19 para 15 anos. No Piauí, a média de duração dos casamentos é um pouquinho maior, chegando a 18 anos.


Por conta dessa nova organização familiar, estruturada a partir de separações ou recasamentos, o modelo da guarda compartilhada dos filhos também vem aumentando no Brasil. Nos últimos 30 anos, saiu de 3,5% para 7,5%. A guarda compartilhada, segundo a lei, caracteriza-se pela " responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres  do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns". Não obstante, prevalece a predominância das mulheres na responsabilidade pela guarda dos filhos menores, em um percentual de 85,1% dos casos. 


Uma constatação númerica, obtida a partir dos números apresentados pelos Cartórios de Registros Civil, revela que por maior que sejam os ventos de mudança de comportamento na sociedade brasileira, a família tradicional, formada por pai, mãe e filhos, continua com seu espaço assegurado, formando a grande base da população. Os novos arranjos familiares demonstram, por sua vez, que a resistência e o preconceito vêm diminuindo com relação aos que optam por um outro modelo de união.