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Ausência da Polícia nas ruas assusta a população

É cada vez mais preocupante a situação da segurança no Piauí, agravada neste final de ano com o movimento dos policiais militares. Eles iniciaram o protesto da corporação com o "Tolerância Zero", cujo objetivo era prender os responsáveis por qualquer pequeno delito cometido, a fim de lotar a Central de Flagrantes e mostrar a falta de estrutura do local, ao mesmo tempo em que criavam um embaraço para  o Estado. Até aí, a sociedade estava mais ou menos tranquila, porque, pelo menos, eles estavam vigilantes.


A segunda fase do protesto, no entanto, é grave. Denominada de "Polícia Legal", nesta etapa os policiais fazem justamente o contrário: deixam de agir por mínimos problemas existentes na estrutura ( ou falta de ) da Polícia Militar. Exemplo: se os pneus da viatura estão "carecas", eles não saem do quartel; ou se a licença é para dirigir um veículo pequeno, o policial não assume o volante de um outro maior. 


Depois de se aquartelarem no quartel, os policiais demonstraram que estão decididos a levar o movimento às últimas consequências. Eles dizem não se sentem representados pelo comando militar. Sem essa hierarquia, indispensável dentro da polícia, fica difícil manter a ordem. Os policiais também reclamam de que não recebem promoções, os soldo é baixo e eles não têm a segurança de sair para o trabalho e voltar para casa. Alegam as dez mortes de militares ocorridas este ano.


De fato, para a atividade de risco que exercem diariamente, eles ganham pouco e dispõem de armas e viaturas em desvantagem com os bandidos. Precisam estar seguros para garantir a segurança dos demais piauienses. No entanto, a população, sempre o lado mais frágil, é a que mais sofre com esse impasse. Impotente, a sociedade tem medo de sair de casa para realizar as atividades corriqueiras e indispensáveis, como ir ao trabalho, ao supermercado ou ao banco.


O número de assaltos e assassinatos só aumenta e assusta ainda mais os moradores que já se encontram apavorados e não sabem mais a quem recorrer, senão a Deus. O Governo do estado justifica que está em situação de extrema dificuldade financeira e que está juntando os trocados para pagar o décimo terceiro salário do funcionalismo. Vai recorrer, mais uma vez, à ajuda da Força Nacional. Na verdade, os gastos públicos, sempre altos, precisam ser melhor direcionados. Menos recursos para o custeio da máquina, contratação de apadrinhados, pagamento de suplentes e mais investimento nas atividades fins. Segurança é uma delas e merece total prioridade.