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Um país em letargia

Está insustentável a indefinição sobre a cassação do Presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O Parlamentar não tem mais respaldo moral nem autoridade para permanecer no comando da Casa, no entanto, lança mão de todos os artifícios, pressão e chantagem para continuar sentado na cadeira de Presidente, o que lhe confere poderes que estão acima da sua idoneidade.


Ontem, depois de longa discussão e artimanhas por parte dos seus aliados, Cunha conseguiu postergar, mais uma vez, a votação do relatório sobre o pedido de cassação do seu mandato por quebra de decoro. Como todos lembram, ele negou, perante os colegas, que possuísse contas bancárias na Suíça, o que foi desmentido pelo Ministério Público. Além do mais, o nome do deputado é citado mais de uma vez em delações premiadas dos presos na operação Lava-Jato por ter recebido propinas, somando alguns milhões de reais.


Por conta desse impasse político, de tirar ou não o presidente da Câsa, a Câmara segue parada, sem votar projetos importantes, entre eles o ajuste fiscal, indispensáve para o reequilíbrio das contas do governo. Este também está mais ocupado em impedir o processo de impeachment da sua presidente, do que em consertar a destroçada economia do país.


Eduardo e Dilma alternam apoio e ameaças um ao outro, na tentativa de salvarem a própria pele, pouco preocupados com a coerência ou com a nação. Eduardo Cunha quer os votos do  PT para não ser cassado e Dilma espera contar com a boa vontade de Eduardo para o arquivamento de um eventual processo de impeachment. Os dois não se toleram, mas são capazes de darem as mãos em um acordo espúrio em troca dos próprios mandatos.


Enquanto isso, o país está paralisado, com uma recessão brutal, o PIB ( Produto Interno Bruto) negativo, desemprego em ascenção, inflação em alta, juros crescentes e a população sofrendo as consequências das ações de quem coloca o projeto político acima do projeto de governo.