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A guerra política em Brasília

Acabou a chantagem. Com a informação de que os três deputados petistas que integram o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados iriam votar pela cassação do seu mandato, o Deputado Eduardo Cunha, ato contínuo, abriu o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. E o declarou em entrevista coletiva, no momento exato em que a bancada governista comemorava a aprovação da redução da meta fiscal de 2015.


A situação, como escrevemos ontem neste espaço, estava insustentável. Agora, começa uma nova etapa de guerra declarada entre Cunha e o governo. Pelos cálculos do Presidente da Câmara, com a abertura do rito de impeachment, todas as atenções do país devem se voltar para a votação do impedimento e, assim, ele ganhará mais tempo e fôlego para livrar-se do processo de cassação do seu mandato. Ontem, ele conseguiu adiar a votação mais uma vez.


Mas o governo não vai deixar barato. Os petistas compraram a briga e vão partir com tudo pra cima de Cunha, a fim de obterem uma retaliação à altura. Ainda ontem, ao saber da decisão de Eduardo Cunha, a presidente Dilma fez um pronunciamento direcionado a ele, elencando faltas como as contas não declaradas na Suíça. Definitivamente, este não será um Natal de paz em Brasília. 


Não se sabe ainda onde vai parar esse processo, que tem um rito próprio, e não é fácil de ser aprovado. São necessários dois terços dos votos da Câmara ( 342) e dois terços do Senado (81). E é claro que o governo usará todo seu poder de fogo para que a oposição não atinja esse quórum.


O que preocupa a sociedade e o setor produtivo, mais especificamente, é a paralisação da economia durante esse período. O ano de 2015 foi particularmente difícil para a economia brasileira e, por isso mesmo, o país precisa aprovar medidas urgentes para que as empresas voltem a produzir, os investidores retomem a confiança para investir e os consumidores sintam-se seguros para comprar. Do contrário, não há como festejar a chegada de 2016.