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A guerra está declarada

Enquanto a nata política se engalfinha em uma disputa fratricida em Brasília, aqui na planície, onde a vida real acontece, uma guerra verdadeira e necessária é travada pela população. É a guerra contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e agora, também, da zika. Esta última tem tirado o sossego de moradores e de autoridades da saúde. E não é para menos: o número de casos de microcefalia, associados ao zika vírus, aumentou para 1761 casos no Brasil; e 38, no Piauí.


O crescimento assustador de casos da doença que leva à má formação do cérebro assusta os especialistas do país inteiro por se tratar de algo inédito na literatura médica. Até então, não havia casos relacionados entre o zika vírus e a microcefalia. Pelo menos, não registrados oficialmente. Há algum tempo, a Polinésia Francesa observou crescimento de casos de microcefalia, mas não realizou o estudo necessário para detectar sua origem.


A microcefalia é doença grave, que provoca sérios transtornos motores e cognitivos, quando não leva à morte. Diferentemente da dengue, ela não vai embora depois de uma semana, mas deixa sequelas irreversíveis. Portanto, o combate ao vetor não pode ser feito da mesma maneira que vinha sendo feito nos anos anteriores. Combater o mosquito da dengue tornou-se, literalmente, uma questão de vida ou morte. 


A epidemia já extrapolou os limites da região Nordeste e começa a se espalhar por outros Estados do Brasil. O Ministério da Saúde decretou Estado de Emergência e até mesmo o Exército foi acionado para lutar contra o mosquito. Mas a luta deve, necessariamente, ser travada por todos, e por cada um dos brasileiros. A fiscalização dos possíveis focos do mosquito, em casa e no trabalho, tem de ser diária e sem trégua. Esta é uma guerra que não pode ser adiada e que merece o envolvimento de todos.