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Pais ou monstros?

O Piauí ainda nem havia se recuperado do choque provocado pela prisão de um casal, acusado de maltratar a própria filha de apenas 4 anos de idade, inclusive com suspeita de estupro, além de outras agressões físicas que deixaram marcas no corpo da garota, quando foi surpreendido com a notícia de que os agressores foram soltos ainda ontem à tarde.


Há muita coisa na justiça incompreensível aos olhos da sociedade. Na audiência de custódia, os pais da criança foram postos em liberdade por falta de provas, embora tenham sido presos em flagrante e tenham confessado as atrocidades que vinham praticado contra a filha. A menina estava, inclusive, sem receber alimentação. A mãe chegou a dizer que iria matá-la para salvar seu casamento, já que o pai não aceitava a filha com deficiência.


As imagens do corpo da garota, completamente marcado por espancamentos é uma cena grotesca, que revolta até o mais insensível dos seres humanos. E tudo isso em plena época de Natal, quando se multiplicam as mensagens de paz, amor e fraternidade.


Os pais são os responsáveis por criar, cuidar, proteger e educar os filhos. Mas o que esperar de quem, em vez de defender, agride impiedosamente uma criança indefesa pelo simples fato de ela ter nascido com uma deficiência? São seres tão doentes que, se representam perigo dentro da própria casa, imagine fora dela.


A impunidade é vista como um dos principais incentivos à criminalidade. E não é para menos. Em Nova York, a violência caiu vertiginosamente após a política conhecida como "Tolerância Zeo" ou "Teoria da Janela Quebrada", segundo a qual, pelo menor delito praticado, os responsáveis são punidos. O raciocínio é o seguinte: se você comete um pequeno delito, como quebrar uma janela ou pichar um muro, e nada acontece, isso serve como estímulo a praticar delitos cada vez maiores, até chegar a um ponto insustentável. É o que parece acontecer no Brasil. Se pais espancam, abusam e privam os filhos de alimentação, e ainda assim, continuam em liberdade, pode-se esperar que coisa pior venha a acontecer. Enquanto isso, a criança segue internada em estado delicado no Hospital de Urgência de Teresina.