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Superlotação compromete atendimento na maternidade


Às vésperas da celebração do nascimento mais importante da humanidade, que trouxe ao mundo a figura humana de Deus, outros tantos nascimentos são comprometidos no Piauí por falta de estrutura da saúde pública. A Maternidade Dona Evangelina Rosa, que já foi referência em atendimento obstétrico de alta complexidade, hoje sofre as consequências do abandono a que foi relegada ao longo dos anos.


A estrutura da maternidade, montada pelo então Governador Alberto Silva, está completamente obsoleta e sem condições de continuar funcionando como referência para gestantes. Segundo os médicos que lá trabalham, faltam equipamentos, leitos e condições adequadas para que eles possam realizar seu trabalho com dignidade.


Outro problema da maternidade é a superlotação. A maior maternidade pública do Estado, e única preparada para atender gravidez de risco, já não suporta mais a quantidade de pacientes que recebe diariamente, não só pelo crescimento vegetativo da população, como também pelo serviço rotineiro das ambulâncias que trazem para capital gestantes que poderiam, e deveriam, ser atendidas em seus municípios de origem. O diretor técnico da maternidade, médico Joaquim Parente, denunciou que as maternidades de Barras e José de Freitas já não funcionam mais e que todas as grávidas desses municípios são encaminhadas para cá, por meio do que se convencionou chamar, jocosamente,  de "ambulancioterapia".


De fato, ao menor sintoma de dor das gestantes no interior do Piauí, elas são despachadas para a Evangelina Rosa, que deveria receber somente pacientes de alto risco. Ainda segundo o diretor, no fim de semana havia 25 parturientes ocupando os espaços do centro  cirúrgico à espera de leitos nos apartamentos e enfermarias. Imagine o risco de uma infecção em um ambiente superlotado assim.


É um descalabro com a vida dos pequenos piauienses que representam o futuro desse Estado. A saúde pública, já deficiente na capital, parece não existir no interior do Piauí. Ambulância não é nem pode ser solução para os problemas de saúde. Estão faltando investimentos e, acima de tudo,  compromisso com o atendimento médico às gestantes piauienses.