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Catilinárias faz estrago na base aliada


Uma semana como poucas já vistas em Brasília. O mundo político realmente não para de surpreender e 2015 chega ao seu final como um filme de ação em que a cada nova cena mais uma ação mirabolante se desenrola. Ontem, a Polícia Federal realizou mais uma operação que pode trazer consequências inesperadas para o desfecho político nacional.


A "visita" à casa do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já era prevista e até esperada. Todos os canhões estavam mesmo apontados para ele, envolvido em denúncias de recebimento de  propina na operação Lava Jato. Mas o deputado peemedebista é frio e calculista e, embora carregue muitos receios com ele, não deixa transparecer o menor sinal de preocupação. Ao contrário, com  olhar gélido e palavras calculadas, ele fala mandando recados e fazendo ameaças. A maior preocupação, sem dúvida, é com a apreensão do seu celular.


Ainda ontem, a comissão de ética da Câmara aceitou a admissibilidade do processo de cassação do mandato de Cunha. Mas ele já tem toda uma estratégia planejada para, se não reverter o quadro, pelo menos adiá-lo ao máximo possível, ou ao tempo suficiente para fazer ainda muitos estragos no governo do qual se tornou inimigo número 1.


O que causou furor mesmo foi o cerco da Polícia Federal a políticos diretamente ligados ao Presidente do Senado, Renan Calheiros, um dos últimos aliados do PMDB à Presidente Dilma Rousseff. Até então, ele vinha segurando as pontas no Congresso em defesa da manutenção do mandato da presidente. Agora, sente-se acuado. E é porque a Polícia não chegou a ir até sua casa, como previsto, porque o pedido foi negado pelo ministro do STF, Teori Zavascki. Mas com o cerco se fechando à sua volta, Renan já fala em recesso parlamentar, contrariando os interesses do governo, que queria ver essa discussão acerca do impeachment encerrada ainda em 2015 para iniciar 2016 com uma nova pauta.


Como se não bastasse, dois ministros do PMDB, Henrique Alves ( Turismo) e Celso Pansera ( Ciência e Tecnologia) também receberam a indesejada visita da Polícia na operação Catilinárias, sem falar no senador Edson Lobão. A cada dia, a balança do PMDB vai pesando mais para o lado do Vice-Presidente Michel Temer, que não vê a hora de subir de posto na hierarquia política brasileira.