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Um Dia de Cão


Está insustentável a situação do sistema carcerário no Piauí. Ontem, mais uma vez, esse quadro ficou evidenciado com as rebeliões simultâneas em Parnaíba e  em Teresina, na Casa de Custódia, lembrando que esta última já havia registrado uma outra rebelião  no espaço de 48h.


Os detentos aproveitaram-se da greve dos agentes penitenciários para iniciar um movimento que eclodiu dentro e fora do presídio. Como se não bastasse a desordem lá dentro, com destruição das instalações e tentativa de fuga, na porta da Casa de Custódia, as mulheres dos presidiários protagonizaram outra cena deplorável, de extrema agressividade, depredando ônibus e chutando o portão. A fúria era tamanha que chegaram a colocar abaixo o portão da Casa dos Albergados. Atiraram pedras até mesmo na equipe de reportagem do portal cidadeverde.com que estava cobrindo o fato.


O descontrole era visível e sem solução aparente. O número reduzido de agentes penitenciários é insuficiente para manter o controle dentro da Casa de Custódia. Além disso, eles alegam que trabalham sem estrutura e armamentos necessários para garantir a ordem. Para piorar, a superlotação crônica do sistema penitenciário do Piauí só agrava a situação e fomenta novas rebeliões. No caso da Custódia, um espaço para abrigar pouco mais de trezentos presos está hoje com mais de 800.


Carente de recursos para serviços essenciais como saúde e educação, o Estado não pode dar-se ao luxo de ficar gastando dinheiro na reconstrução de presídios destruídos pelos presos durante motins e rebeliões. É dinheiro desperdiçado que poderia estar sendo empregado em outros setores.
A superlotação não é causada apenas pela falta de vagas em novos presídios que já deveriam estar prontos e em funcionamento. A demora no julgamento dos custodiados e a recusa em aplicar penas alternativas para crimes mais brandos contribuem para que a Casa de Custódia se transforme em um caldeirão explosivo. Ontem ele explodiu mais uma vez. E sempre que isso acontece a população se sente ainda mais desprotegida. 


Esse não é um problema novo, portanto já deveria ter sido solucionado há bastante tempo. As audiências de custódia vieram para ajudar a resolver a questão, mas elas ainda estão restritas à capital. Enquanto essas equações não forem resolvidas ficaremos todos expostos ao risco decorrente das rebeliões.