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Municípios piauienses estão "quebrados"


O ano de 2015 despede-se melancolicamente como o ano da "quebradeira" geral, tanto para os consumidores, quanto para empresários e gestores públicos. Nas lojas de Teresina, a avaliação comum é de que as vendas do Natal foram abaixo do esperado para este período, considerado o melhor do calendário comercial. Com medo do que vem pela frente em 2016, os consumidores puxaram o freio das compras e limitaram-se a levar para casa somente o essencial.


A mesma cautela foi registrada entre os empresários que, já prevendo o que poderia acontecer, fizeram pedidos em menor quantidade do que gostariam de ter feito. Mas a preocupação maior abateu-se mesmo entre os gestores públicos, especialmente os prefeitos de pequenos municípios, com quase nenhuma arrecadação própria, e que dependem basicamente dos repasses federais.


Com a recessão descendo em cascata, a União passou a diminuir e atrasar o repasse aos municípios, levando-os a uma situação extremamente delicada. O Governo Federal delegou uma série de atividades aos municípios, seja na área da saúde, como na da educação e assistência social. O problema é que, ao tempo em que aumentou a responsabilidade dos municípios, esqueceu de aumentar o aporte financeiro para os mesmos.


É bem verdade que em muitas cidades, e o interior do Piauí está cheio de exemplos dessa natureza, não há planejamento suficiente para que as Prefeituras enfrentem um tempo de vacas magras, embora isso fosse absolutamente previsível. Não obstante a recessão econômica que vem se desenrolando desde o início do ano, em muitas cidades não faltaram festas, com contratação de bandas, às vezes superfaturadas. Também não houve economia na distribuição graciosa de cargos comissionados e benesses aos gestores. Resultado: agora está faltando dinheiro até para serviços essenciais, como escolas e postos de saúde.


Mesmo para quem vem administrando os cofres públicos com extremo rigor, a situação está difícil. Se está faltando dinheiro até para abastecer as ambulâncias, imagine para investimento em obras de infraestrutura, necessárias para a melhoria do bem estar da população! Em 2016 mais apertos são esperados. Os gestores terão que repensar o modo de administrar ou as Prefeituras fecharão as portas por não terem mais o que fazer.