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O bolso pede socorro


Ano novo, velhos problemas. E o maior deles parece ser mesmo o econômico. No primeiro dia útil de 2016, os motoristas foram surpreendidos com o aumento no preço dos combustíveis e, como se não bastasse, ainda tiveram que enfrentar o desabastecimento. Em muitos postos do interior, e também da capital, estava faltando gasolina nesta segunda-feira. A desculpa pouco convincente do sindicato dos proprietários de postos  foi de que houve falha no planejamento.  Como assim? Há quantos anos utiliza-se combustível ? Até hoje não aprenderam a fazer planejamento de estoque para a virada do ano?  


A escassez sentida ontem parece ter muito mais a ver com o aumento no preço do produto. Motoristas atônitos corriam de um posto a outro à procura de um preço melhor. Mas o litro da gasolina virou o ano beirando os R$ 4, um valor que está fazendo muita gente  racionar os deslocamentos para economizar na bomba. Infelizmente, o transporte público na capital não é capaz de convencer ninguém a deixar o carro em casa e optar pelo transporte coletivo - fato bastante comum nos países do primeiro mundo.


Não bastasse a alta no preço da gasolina, e do salário mínimo, o dólar voltou a disparar, ultrapassando a barreira dos R$ 4, impulsionado pela crise na China. Esse é um dos efeitos do mundo globalizado. Quando as bolsas caem lá do outro lado do mundo, os reflexos são sentidos imediatamente aqui também. E nem adianta tentar se enganar, achando que a alta do dólar atinge apenas quem tem ( ou tinha ) pretensão de viajar ao exterior. Muitos dos produtos consumidos aqui no Brasil utilizam matéria prima comprada em dólar. A começar pelo trigo com que é feito nosso pãozinho de cada dia.


A inflação já fechou o ano em 10%,  e pode começar a se preparar para novos aumentos daqui pra frente. Se podemos definir 2016, certamente será  como o ano do arrocho. Pelo menos para quem não pode praticar as pedaladas fiscais, ou seja, nós, contribuintes.