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Timon City deixa de circular hoje


Alguns adágios populares ganham força de verdade e, entre eles, está o de que "alegria de pobre dura pouco". Foi assim com os usuários do transporte coletivo que, por poucos meses, desfrutaram de ônibus confortáveis, com veículos novos, ar condicionado e wi-fi gratuita. O serviço era prestado, por força de liminar, pela empresa Timon City, que inovou no atendimento aos clientes e agradou os passageiros da vizinha cidade de Timon.


A empresa começou a operar em agosto do ano passado, cobrando a passagem a R$ 2. No finalzinho do ano, o Prefeito de Teresina, Firmino Filho, desafiou o empresário a operar em Teresina com esse valor. Ramon Alves, o proprietário da Timon City, aceitou o desafio desde que fossem destinados à sua empresa percursos de até 25km. Foi o que bastou para que os passageiros de Teresina se animassem com a possibilidade de andarem em  ônibus mais confortáveis.


Mas o sonho não resistiu muito e a Agência Nacional de Transportes Terrestres conseguiu suspender a liminar que permitia o funcionamento da empresa. A partir de hoje, portanto, a Timon City deixa de circular. Mas nada acontece em vão. A empresa deixou os passageiros mais exigentes, depois de terem experimentado o gostinho de andar em um transporte público diferenciado, mostrando que isso é possível.


A Timon City, de fato, não participou do processo licitatório que selecionou as empresas para operar o sistema de transporte coletivo. Mas e o interesse público? Questionado sobre essa possibilidade, o Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Estado, Jaylson Campelo,  disse que é possível, sim, por meio de uma peça bem sustentada, forçar as empresas vencedoras a oferecerem o mesmo padrão da empresa que deixa de circular, invocando justamente o alegado interesse público. Não é tarefa fácil, pelo contrário.  A tese é extremamente polêmica e controversa e pode levar a um extenso processo judicial. Mas, segundo a avaliação dele, existe uma brecha na Lei de Licitação que diz que se as empresas vencedoras apresentarem preço manifestamente superior ao praticado no mercado, a contratante pode baixar esses valores ou contratar a segunda colocada no certame. Estariam as prefeituras dos dois municípios dispostas a comprar essa briga? Muito improvável.


Mas os passageiros do sistema de transporte coletivo, os principais interessados no sistema, foram justamente os mais prejudicados com a suspensão da liminar. Eles passam a pagar um valor mais alto a partir deste mês e, em contrapartida, esperam que haja também um melhor padrão de qualidade no sistema. No caso da Prefeitura de Teresina, a STRANS anuncia melhoras a partir do funcionamento dos terminais de integração, que encontram-se em fase de conclusão. Mas, certamente, o conforto experimentado por quem andou em carros com ar condicionado e internet grátis não será esquecido.