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Novo piso do magistério é R$ 2.135


O Ministério da Educação anunciou ontem o novo valor do piso salarial dos professores da rede pública, que passa a ser de R$ 2.135,64, representando um aumento de 11,36%. A lei que estabelece o piso do magistério é de 2008 e expressa  uma conquista da categoria que passou a contar com um valor mínimo de remuneração para o exercício do magistério em todos os estados e municípios brasileiros.


O valor ainda é baixo, mas já é um avanço. No entanto, nem bem os professores puderam comemorar, se é que há motivos para isso, e já houve manifestação por parte dos prefeitos e secretários municipais de educação para que o índice baixasse para 7,41% e  fosse adiado para agosto. A Confederação Nacional dos Municípios alega a crise econômica que afeta, principalmente, a gestão pública municipal por conta das quedas sucessivas no Fundo de Participação dos Municípios. Eles alegam que o aumento concedido pelo MEC "não é sustentável". 


O que esses gestores não veem, ou não querem ver, é que insustentável mesmo é uma nação, estado ou município, que não investem em educação. O custo da ignorância, todos sabemos, é bem mais alto. Que o país atravessa dificuldades financeiras, não há dúvida. Mas, certamente, não é por conta dos investimentos em educação. Talvez seja justamente pela falta deles. Um povo sem educação não fiscaliza as contas públicas, nem cobra dos gestores. Muitas vezes sequer conhece seus direitos.


Se o dinheiro está escasso, e de fato está, é preciso haver planejamento para que se definam as prioridades. E não pode haver prioridade maior que a educação. Os cortes orçamentários devem ser dirigidos a outras áreas, a exemplo do que fez o Prefeito de Piracuruca, que decidiu acabar com as festas de carnaval na cidade por conta da dificuldade financeira. Igualmente, podem ser cortadas as verbas para propaganda de autopromoção, de pagamento para cargos comissionados criados apenas para acomodar afilhados políticos. Também é fundamental que as licitações sejam rigorosas e transparentes, para que o dinheiro público não escorregue pelos canais sombrios da corrupção, tão comum em contratos de obras públicas.


Até a saúde pública se beneficia quando há investimento produtivo na educação. Pessoas bem educadas cuidam melhor de si e da sua família. Os professores formam não apenas os futuros profissionais, mas os futuros cidadãos. Sua responsabilidade, portanto, é gigantesca. Cabe à gestão pública cobrar desses professores resultados positivos quanto ao aprendizado dos alunos e pagar-lhes um salário digno com a missão que exercem. Quando não há investimento em sala de aula, o poder público é obrigado a gastar bem mais no controle e punição da criminalidade. A escolha fica a critério de cada um.